sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O lado bom da vida - Matthew Quick

 Pat Peoples acaba de sair do “lugar ruim” e seu maior desejo agora é reconquistar Nikki, sua esposa, e acabar com o “tempo separados”. O “lugar ruim” a que ele se refere nada mais é que um manicômio e, logo de cara, você fica se perguntando “porque diabos esse cara foi parar no manicômio?”.
E a resposta, claro, não vem tão cedo. A história é narrada em primeira pessoa, através de um diário que é escrito por Pat, e que tem o intuito de ser entregue a Nikki (um ser quase místico ao longo de quase todo o livro, já que Pat só sabe falar dela), quando chegar ao fim o “tempo separados”. O motivo de estarem separados também não é dito, embora você possa entender algumas coisas quando Pat explica porque está tão motivado a fazer exercícios e praticar o “ser gentil ao invés de ter razão”. Através das pequenas coisas que Pat solta durante a narrativa, você pode perceber que ele não era exatamente o marido ideal, achava-se superior, não ouvia a esposa e debochava de seus gostos. Agora, recém saído do “lugar ruim”, Pat quer provar para Nikki que se tornou uma pessoa melhor, um homem melhor e um marido melhor.
Logo de cara você percebe que tem alguma coisa errada nessa história. Lógico que a ausência de resposta para a questão da internação de Pat vai te incomodando, mas tem outras coisas também. Pat acredita que ficou apenas alguns meses no “lugar ruim”, mas a vida de todas as pessoas que ele conhece e até fatos importantes no seu mundo mudaram demais para que tudo tenha acontecido em apenas alguns meses. Sua mãe não gosta de falar sobre Nikki e curiosamente, ladrões entraram na casa e roubaram todos os porta-retratos onde se encontravam fotos de Pat e Nikki casados.
Pat não percebe o absurdo da situação logo de cara, mas o leitor percebe e é apenas mais uma coisa que fica ali, no fundo da sua mente, te importunando e te fazendo ler mais, até finalmente descobrir...
Pat não é burro. Logo nas primeiras linhas, você percebe certo ar de inocência abobalhada na escrita dele, provavelmente proveniente do tempo que passou no manicômio, ou, quem sabe, daquilo que o levou a ser internado, para começo de conversa.
Desde que sai do “lugar ruim”, Pat faz basicamente isso: malhação, flexão, corrida e assiste aos jogos do Eagles, o time de futebol americano para o qual torcem não apenas sua família, mas seu melhor amigo, seu novo terapeuta e aparentemente TODOS OS PERSONAGENS DO LIVRO...
Sério, o livro é basicamente Pat falando sobre malhação, Eagles e Nikki. A escrita é simples e leve, mas extremamente repetitiva. Volta sempre para o mesmo lugar e até quando você acha que vai mudar um pouco o foco... não muda!

Uma coisa eu tenho que dizer em defesa da escrita, no entanto. Ao passo que o leitor está um pouco perdido com o que está acontecendo, é perceptível que o próprio personagem está tentando se encontrar no tempo e espaço, já que o que para ele foram meses, para o resto das pessoas foram anos. E esse é um ponto louvável do livro. Eu curti.

Fui atrás desse livro por causa do filme, e me interessei pelo filme por causa de Jennifer Lawrence que ganhou um Oscar de melhor atriz por sua interpretação de Tiffany.
Eu gostei da personagem da Tiffany, porém mais do que eu gostei do protagonista. Esse é parte do problema. O personagem secundário parece mais interessante que o protagonista, mas fica limitado pela famosa e desgastada narração em primeira pessoa  (na minha nada humilde opinião).
Pat a conhece e passa a maior parte do tempo a estranhando e, então, do nada, você tem que acreditar que Tiffany se interessou por ele.
A verdade é que mal acabei de ler o livro e pouco me lembro dele. Confesso que passei boa parte do dia lendo resenhas de outros blogs a fim de tentar identificar o que realmente sinto em relação a esse livro e a resposta é um grande... vazio. Não senti nada demais lendo esse livro, nenhuma identificação, nenhuma catarse, dei umas risadas aqui e ali, mas no fim, ter lido ou não o livro não faz a menor diferença na minha vida.
Talvez faça na sua, cada um é cada um.
É um bom livro para relaxar, entre um ou outro livro de Tolkien, George R. R. Martim ou Stephen King, para um dia de domingo, uma viagem de férias após um ano estressante (meu caso), sem compromisso, sem exigências...
Mea-culpa: Para ser sincera, talvez eu esteja apenas sendo mal-humorada demais, não tenha encarado o livro com o espírito certo, ou esteja com problemas para ver o lado bom de “O lado bom da vida”.
Espero um dia reler esse livro com o espírito certo, talvez como uma torcedora fanática pelos Eagles... quem sabe?

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