E a resposta, claro, não vem tão cedo. A história é narrada
em primeira pessoa, através de um diário que é escrito por Pat, e que tem o
intuito de ser entregue a Nikki (um ser quase místico ao longo de quase todo o
livro, já que Pat só sabe falar dela), quando chegar ao fim o “tempo separados”.
O motivo de estarem separados também não é dito, embora você possa entender algumas
coisas quando Pat explica porque está tão motivado a fazer exercícios e
praticar o “ser gentil ao invés de ter razão”. Através das pequenas coisas que
Pat solta durante a narrativa, você pode perceber que ele não era exatamente o
marido ideal, achava-se superior, não ouvia a esposa e debochava de seus
gostos. Agora, recém saído do “lugar ruim”, Pat quer provar para Nikki que se
tornou uma pessoa melhor, um homem melhor e um marido melhor.
Logo de cara você percebe que tem alguma coisa errada nessa
história. Lógico que a ausência de resposta para a questão da internação de Pat
vai te incomodando, mas tem outras coisas também. Pat acredita que ficou apenas
alguns meses no “lugar ruim”, mas a vida de todas as pessoas que ele conhece e
até fatos importantes no seu mundo mudaram demais para que tudo tenha
acontecido em apenas alguns meses. Sua mãe não gosta de falar sobre Nikki e
curiosamente, ladrões entraram na casa e roubaram todos os porta-retratos onde
se encontravam fotos de Pat e Nikki casados.
Pat não percebe o absurdo da situação logo de cara, mas o
leitor percebe e é apenas mais uma coisa que fica ali, no fundo da sua mente,
te importunando e te fazendo ler mais, até finalmente descobrir...
Pat não é burro. Logo nas primeiras linhas, você percebe
certo ar de inocência abobalhada na escrita dele, provavelmente proveniente do
tempo que passou no manicômio, ou, quem sabe, daquilo que o levou a ser
internado, para começo de conversa.
Desde que sai do “lugar ruim”, Pat faz basicamente isso:
malhação, flexão, corrida e assiste aos jogos do Eagles, o time de futebol
americano para o qual torcem não apenas sua família, mas seu melhor amigo, seu
novo terapeuta e aparentemente TODOS OS PERSONAGENS DO LIVRO...
Sério, o livro é basicamente Pat falando sobre malhação,
Eagles e Nikki. A escrita é simples e leve, mas extremamente repetitiva. Volta
sempre para o mesmo lugar e até quando você acha que vai mudar um pouco o
foco... não muda!
Uma coisa eu tenho que dizer em defesa da escrita, no
entanto. Ao passo que o leitor está um pouco perdido com o que está acontecendo,
é perceptível que o próprio personagem está tentando se encontrar no tempo e
espaço, já que o que para ele foram meses, para o resto das pessoas foram anos.
E esse é um ponto louvável do livro. Eu curti.
Fui atrás desse livro por causa do filme, e me interessei
pelo filme por causa de Jennifer Lawrence que ganhou um Oscar de melhor atriz
por sua interpretação de Tiffany.
Eu gostei da personagem da Tiffany, porém mais do que eu gostei do protagonista. Esse é parte do problema. O personagem secundário parece mais interessante que o protagonista, mas fica limitado pela famosa e desgastada narração em primeira pessoa (na minha nada humilde opinião).
Pat a conhece e passa a maior parte do tempo a estranhando e, então, do nada, você tem que acreditar que Tiffany se interessou por ele.
Eu gostei da personagem da Tiffany, porém mais do que eu gostei do protagonista. Esse é parte do problema. O personagem secundário parece mais interessante que o protagonista, mas fica limitado pela famosa e desgastada narração em primeira pessoa (na minha nada humilde opinião).
Pat a conhece e passa a maior parte do tempo a estranhando e, então, do nada, você tem que acreditar que Tiffany se interessou por ele.
A verdade é que mal acabei de ler o livro e pouco me lembro
dele. Confesso que passei boa parte do dia lendo resenhas de outros blogs a fim
de tentar identificar o que realmente sinto em relação a esse livro e a
resposta é um grande... vazio. Não senti nada demais lendo esse livro, nenhuma
identificação, nenhuma catarse, dei umas risadas aqui e ali, mas no fim, ter
lido ou não o livro não faz a menor diferença na minha vida.
Talvez faça na sua, cada um é cada um.
É um bom livro para relaxar, entre um ou outro livro de Tolkien,
George R. R. Martim ou Stephen King, para um dia de domingo, uma viagem de
férias após um ano estressante (meu caso), sem compromisso, sem exigências...
Mea-culpa: Para ser sincera, talvez eu esteja apenas sendo
mal-humorada demais, não tenha encarado o livro com o espírito certo, ou esteja
com problemas para ver o lado bom de “O lado bom da vida”.
Espero um dia reler esse livro com o espírito certo, talvez como
uma torcedora fanática pelos Eagles... quem sabe?



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