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domingo, 31 de março de 2013

As crônicas de gelo e fogo 3: A tormenta de espadas - George R. R. Martin

Você não sabe de nada, caro leitor!

Assim como na resenha de a Fúria dos Reis, nesse texto também há spoilers do livro anterior e talvez deste também, afinal de agora em diante se torna quase impossível comentar sobre os livros das Crônicas de Gelo e Fogo, sem falar sobre seus principais acontecimentos, mas prometo que vou tentar não entregar tudo o que acontece, pelo menos não com todas as letras.

Porra, Martin!

Peço desculpas ao puritanistas, mas não dá para não xingar. O cara é um gênio! Sério, quero ser igual a ele quando crescer, exceto pela barba branca e o jeito de papai noel!

Se nós, meros leitores, achavamos que já tinhamos nos acostumado com a falta de "apegação" aos personagens, descobrimos que não sabiamos nada. Na Tormenta de Espadas chegamos a um nível de quebra de expectativa tão grande, que as vezes é difícil acreditar no que o Martin escreveu.

Muita gente desiste dos livros na Fúria dos Reis, ou simplesmente trava empaca e tem dificuldade para continuar. Gostei do livro anterior, como já disse, mas enquanto ali você precisa se concentrar e criar paciência para sair de alguns trechos que parecem estar travados, na Tormenta a coisa muda totalmente de figura. É como ver um jogo de xadrez. Num momento as peças andam pelo tabuleiro, se posicionando, e quando você percebe várias estão prestes a ir pro cemitério e não há salvação.

O prólogo

O prólogo desse livro é a primeira coisa a surpreender, e nisso admito que não gostei de como ele foi para a TV na segunda temporada de Game of Thrones, mas... Vamos ver como vão continuar a cena.

No começo é óbvia a sensação de "vai dar merda", e isso realmente acontece, mas não do modo esperado de um assassinando o outro que está dormindo e conspirações na calada da noite. Quem leu até aqui sabe o que significa três assopros de corneta na Patrulha da Noite. E você consegue perceber o quão f*** isso é a partir do momento que um assassino se mija de medo.

Vilões não tão vilões

Uma das maiores surpresas desse livro é o personagem Jaime Lannister. Aqui ele começa a ter 'voz', e não dá para esperar grande boa coisa de um cara que empurrou uma criança para a morte. Mas...

O cara é legal! As motivações dele fazem sentido, e você começa a perceber que as 'maldades' que ele fez são por causa do amor doentio? que sente pela Cersei. E conforme os capítulos dele vão passando, dá para entender o que o fez matar o Rei Louco, afinal o que era mais certo para um cavaleiro, proteger o reino de um rei que seria capaz de matar a todos, ou matar um rei para salvar o reino?

E também é quase impossível deixar de lado a metáfora de que às vezes um homem precisa perder algo importante para valorizar outras coisas (entendam como quiser). Sem falar na brecha para novas fanfics de Jaime e Brienne, mas... Bom... Deixa pra lá.

Os Reis e as alianças

A guerra continua. Com Renly Baratheon morto, agora restam Joffrey, Stannis, Robb e Balon Greyjoy. E assim voltamos a discussão de quando uma atitude considerada errada pode ser boa, ou o contrário.

Vemos Melisandre e suas mandingas em ação de novo, dessa vez com Stannis ao seu lado, mesmo não sabendo se acredita em tudo aquilo ou não. Ele dá seu sangue e faz o sacrifício, nomeando seus principais adversários: Balon, Joffrey e Robb.

Em Porto Real, Tyrion caiu do pedestal. Sem o nariz, depois da tentativa de assassinato, e sem as glórias por ter vencido a batalha da Água Negra, que ficam com os Tyrell e seu pai, Tywin, o anão fica desolado, e só se sente pior quando é forçado a uma aliança incomum. Enquanto isso, Joffrey e Margaery Tyrell noivam, unindo Lannisters e Tyrells. E a Sansa? Bom... Preciso dizer mais? Sobre a Sansa, é difícil falar sem entregar 50% da surpresa do livro... E não, isso não se refere a só um fato!

E nas Terras Fluviais, Robb tem que lidar com a consequência de seus atos e com a ira de Catelyn. Um briga com o outro, mas ela tomou uma decisão por medo de perder seus únicos filhos vivos, afinal ela acredita que Bran e Rickon estão mortos, e Robb... Agiu pensando com outra cabeça.

O inverno está chegando

A Patrulha da Noite sofreu grandes baixas depois dos três sopros de corneta. Agora temos o ponto de vista de Sam, que se torna Sam, o matador, e ele tem a chance de rever Goiva e salvá-la, se f****** mais ainda

Enquanto isso, Jon caminha com os selvagens em direção a Muralha, e num golpe de sorte consegue fugir deles e corre para avisar seus irmãos que logo terão um exército para enfrentar, com direito a mamutes e gigantes. E graças a um cavaleiro aprendendo a ler, eles podem acabar vivendo para contar a história.

Mhysa

Do outro lado do mar, Daenerys também luta, mas sua guerra é contra os escravagistas da Baía dos Escravos, para onde seguiu depois de encontrar Arstan e Belwas, o forte, enviados por Illyrio para levá-la de volta à Pentos.

Seus dragões crescem e chamam atenção, e Dany quer um exército para ajudá-la a conquistar Westeros. Como nada é tão simples, ela se vê em algumas armações mas sai de todas muito bem, até descobrir que foi traída por uma das pessoas que mais confia. Com as cidades de Astapor e Yunkai derrotadas, ela conquista Meereen e decide aprender como é governar antes de partir.

Casamentos

No fim, não dá para não falar sobre os casamentos. Quatro casamentos importantes acontecem nesse livro. Dois em Porto Real, um nas Terras Fluviais, e um no Ninho da Águia, e um deles é bem conhecido e chamado de Casamento Vermelho.

Com o Casamento Vermelho é impossível não ficar p*** e chocado! Martin joga na cara do leitor que realmente ninguém está a salvo, nem com a proteção das leis da hospitalidade.

E graças a outro casamento, um personagem forte é acusado de assassinato, consegue fugir, descobre que foi traído, e mata quem o traiu e a pessoa que considera a culpada de toda a sua desgraça. Terminando com uma das grandes perguntas da série: "Para onde as putas vão?".

E o último casamento também revela um grande jogador, até então visto como um peão. Mas afinal, será que é um jogador mesmo, ou realmente só mais uma peça a ser movimentada?

[ATUALIZADO EM 24/11/2016]
Livro 1: A guerra dos tronos - resenha
Livro 2: A fúria dos reis - resenha
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quarta-feira, 27 de março de 2013

As crônicas de gelo e fogo 2: A fúria dos reis - George R. R. Martin

Valar Morghulis


Antes de qualquer coisa aviso que esse texto contém spoilers(!!!), principalmente para quem não leu o primeiro livro e nem viu a primeira temporada da série, portanto, leia por sua conta e risco.

Você pode ler a resenha de A Guerra dos Tronos aqui.

Se você está ansioso esperando que o segundo livro seja igual ao primeiro, pode se acalmar porque o ritmo de A Fúria dos Reis é mais tranquilo do que o de A Guerra dos Tronos. Os cliffhangers não são tão grandiosos. Eles parecem mais ter a função de preparar o terreno para o que está por vir nos próximos livros. Mas isso não impede cabeças de rolarem, e as reviravoltas não chocam tanto quanto as do primeiro livro, talvez porque aprendemos a esperar qualquer coisa enquanto continuamos xingando o Sr. Martin pela morte do Ned Boromir.

A guerra é quem mais governa em Westeros, que agora conta com cinco reis na briga: o imaturo Joffrey Baratheon, com sua mãe, a Rainha Regente Cersei, do lado dos Lannisters; os irmãos Renly e Stannis Baratheon do lado do reino, porém um contra o outro, sendo Stannis o irmão mais velho depois do Rei morto por um porco Robert, e Renly o mais novo, mas que acredita ter direito por ser mais carismático do que o irmão; Robb Stark, do lado dos Starks, como Rei do Norte e querendo vingança pela morte do pai; e Balon Greyjoy, do lado dos Greyjoys e do povo das Ilhas de Ferro, introduzindo novos e odiados personagens e POVs.

É uma massaroca de reis e motivações, tanto que Martin brinca com os próprios personagens fazendo piada sobre a quantidade de autoproclamados reis. Mas a história começa de novo, com um prólogo muito bem escrito, e um cometa, que é o principal assunto em boa parte do livro. Muitos o identificam como um sinal favorecendo algum rei ou alguma batalha, mas outros sabem que ele também pode significar a volta dos dragões.

A história na parte não congelada de Westeros

Em Porto Real (King's Landing), observamos os acontecimentos pelos olhos de Sansa e Tyrion. A garota Stark vive como refém e prometida ao cruel Rei Joffrey, que não polpa esforços em maltratá-la e humilhá-la. Admito que comecei a sentir um pouco de dó dela, mas passou. Enquanto isso, Tyrion tenta colocar juízo na cabeça do sobrinho e ordem no reino, mas para isso ele precisa descobrir quem trabalha para quem naquele ninho de cobras e em quem ele pode confiar para fazer as coisas certas e não acabar perdendo a cabeça, literalmente.

Em Ponta Tempestade (Storm's End) é a vez de Renly Baratheon, que teoricamente não tem direito a nada, mas acredita que sim por ser mais popular. Ele tem o apoio dos Tyrell, uma das famílias mais ricas e influentes de Westeros, e se prepara para lutar contra o irmão Stannis. Alí vemos parte da história pelos olhos de Catelyn, que vai em busca de uma aliança para o filho Robb, e com ela conhecemos Brienne, uma mulher apaixonada por Renly e disposta a serví-lo como uma guerreira. Cat imediatamente lembra de Arya, e teme pela vida das filhas.

Em Pedra do Dragão (Dragonstone) conhecemos Stannis pelos olhos de um novo personagem, Davos, o cavaleiro das cebolas. Os dois personagens aparecem pela primeira vez no prólogo, enquanto conhecemos um dos maiores mistérios desse livro, Melisandre, a sacerdotisa vermelha que o Stannis pega e que muitos também gostariam de pegar. A reinvidicação de Stannis ao Trono de Ferro começa assim que ele recebe a carta do falecido Ned, contando que os filhos da Rainha Cersei não são do Rei Robert, mas sim resultado da relação incestuosa dela com o irmão Jaime. Ao contrário do Ned, Stannis foi esperto e espalhou a história, provocando mais revolta tanto para quem odeia Joffrey e os Lannisters quanto para eles próprios, que tentam abafar o caso.

Nas Terras Fluviais (Riverlands) trombamos de novo com Catelyn, apoiando o filho na guerra contra os Lannisters, e com Brienne a seu serviço. Mas a situação muda um pouco quando recebe uma notícia de Winterfell, e decide fazer algo que pode mudar muita coisa no jogo dos tronos.

Ali perto encontramos Arya, primeiro como o órfão Arry e depois como Nan. Ela cria uma lista, com o nome de todos que quer matar e repete esses nomes todas as noites, como uma oração, e não demora muito até que tenha uns nomes a menos da lista, com a ajuda de um estranho, chamado Jaqen H'ghar.

No norte temos a não tão ilustre presença de Theon, agora também com capítulos próprios. Com ele conhecemos as Ilhas de Ferro, seus habitantes, sua irmã e seu pai, que agora se denomina Rei Balon Greyjoy, e quer reinvidicar o norte, pagando o preço de ferro. Theon, numa tentativa desesperada e burra de provar ser um homem de ferro para o pai, 'toma' Winterfell, faz caquinha e se f***.

Para lá da Muralha

Para os fãs do Jon, ele está de volta e não é um rei (ufa!), mas ele foi um dos vários patrulheiros escalados para a expedição ao norte da Muralha, junto com o próprio Lord Comandante Mormont, afim de investigar o desaparecimento de outros patrulheiros, entre eles Benjen Stark. Quando acampam no Punho dos Primeiros Homens, Jon encontra algumas armas feitas de vidro de dragão e depois segue com o patrulheiro Qhorin Meia-Mão, para descobrir o que o Rei-Para-Lá-da-Muralha, Mance Rayder, anda fazendo. Nisso ele conhece uma selvagem e apronta várias confusões com uma turminha do barulho.

E os dragões?

Depois de ter sido considerada louca por ter entrado na pira funerária de Khal Drogo, ela fez cair o queixo daqueles que ainda a seguiam, primeiro por sair viva e segundo por sair amamentando três dragões. Mas ai eles são obrigados a seguir viagem, afinal ficar parados ali é o mesmo que querer morrer.

Eles caminham pelo deserto até encontrarem uma cidade abandonada, que chamam de Vaes Tolorro (a Cidade dos Ossos), e ali decidem viver até restabelecerem suas forças. Enquanto isso, Daenerys manda alguns de seus companheiros em todas as direções, para saber o que podiam esperar vivendo ali. Assim ela acaba conhecendo Xaro Xhoan Daxos, Pyat Pree e Quaithe, que vem de Qarth com um de seus enviados.

Em Qarth, Dany conhece a Casa dos Imortais, onde tem revelações e ouve profecias, sobrevive a novos atentados, cria novos inimigos e encontra um novo amigo, vindo de Westeros depois de mandar um rei se f***.

Resumindo...

A Fúria dos Reis é um bom livro, mas também é um dos que requer mais paciência para ser lido e apreciado. No entanto, todo o 'esforço' é recompensado nos próximos livros, quando podemos ver até algumas das profecias da Casa dos Imortais virando realidade.

[ATUALIZADO EM 24/11/2016]
Livro 1: A guerra dos tronos - resenha
Livro 2: A tormenta de espadas - resenha
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

As crônicas de gelo e fogo 1: A guerra dos tronos - George R. R. Martin


BATISMO DE SANGUE E FOGO

Não, este não é um texto sobre a série Game of Thrones, da HBO, mas sim sobre o primeiro livro das Crônicas de Gelo e Fogo, ou A Song of Ice and Fire, em inglês, do tio  avô George R. R. Martin. A Guerra dos Tronos é o primeiro livro das Crônicas e se preparem, porque vem mais seis depois desse e  cinco já foram publicados. 

Antes de ler o livro, ouvi muita gente comparando com Senhor dos Anéis. Li resenhas e críticas que diziam isso e falavam de Martin como o novo Tolkien. Sinceramente? Não achei nada disso!

"Meu Deus, essa mina tá louca, olha só o que ela escreveu!"; "Ca*****, fica quieta que você tá falando merda!"; "Vai se f****! Vai dizer que não gostou da p**** do livro e ainda vem pagar de inteligente escrevendo sua opinião de merda sobre ele!"

Para qualquer um que tenha pensado isso ou coisas parecidas e esteja com as mãos no teclado para me xingar nos comentários, calma! Primeiro, os livros das Crônicas estão no meu top "li, releio, e morro falando deles". Segundo, vou explicar porque não concordo com a comparação.

O modo de escrever dos dois autores são bem distintos, esse por si só já é um ótimo motivo para não comparar. Tolkien foi um gênio que criou um universo próprio, encaixando vários elementos folclóricos e explicando como surgiram e o que fizeram, além de criar idiomas para esses seres. Mas até hoje não conheci uma pessoa que não tenha ficado com sono em algum momento lendo uma de suas obras. O próprio Senhor dos Anéis é um exemplo do quão detalhista ele era sobre o ambiente em que suas histórias aconteciam.

Por outro lado temos Martin. Para mim ele também é um gênio. Ele criou um universo, baseado no nosso, no mundo real, com características medievais e os personagens mais humanos que já vi em um livro de ficção.

Para começar, cada capítulo é um POV (point of view - ponto de vista) de um personagem da história. Ou seja, tudo o que lemos em cada capítulo, é o modo como um personagem enxerga o mundo ao seu redor, com seus pensamentos, sentimentos e escolhas, que com certeza acabam influenciando toda a trama mais cedo ou mais tarde.

Desde o momento em que somos apresentados a esses personagens, vendo através dos olhos deles, não tem como dizer que fulano é um típico vilão, e beltrano o personagem bonzinho que vai fazer tudo dar certo no fim. Isso é Disney!

Admito que quando comecei a ler a Guerra dos Tronos, e passei do prólogo (já volto nesse ponto), fiquei um pouco perdida com os vários nomes que apareciam, de personagens secundários, terciários e por aí vai, e isso é um detalhe que se repete em todos os outros livros, a ponto de tornar algumas passagens cansativas e até confusas, mas nada que, a meu ver, estrague a leitura. Tanto que se nesse ponto for para retomar a comparação Martin - Tolkien, diria que essa é uma característica que até pode se comparar um pouco com as descrições das florestas da Terra Média.

"Beleza, entendi porque você não concorda com a comparação dos dois autores, mas sobre o que é o livro afinal de contas?"

Para explicar melhor a história...

O mundo criado por Martin

A maior parte da história em A Guerra dos Tronos se passa em Westeros, um continente com Sete Reinos que são governados por um Rei. Lembram das aulas chatas  de história sobre feudalismo? É basicamente isso. Cada reino tem um líder, um Senhor (Lord), cada líder tem seus vassalos, e todos têm o chefão supremo, que é o Rei.

Mas antes, há centenas de anos, não existia um Rei para toda Westeros. Aos poucos descobrimos que esse sistema começou com uma das principais famílias da história, os Targaryen, que atravessaram o oceano montados em dragões e assim conquistaram os Sete Reinos, subjugando inclusive alguns Reis, como o Rei do Norte, que era de outra família bem importante no primeiro livro, os Starks. 

Fora a Westeros, somos apresentados a uma parte das cidades além do Mar Estreito (Narrow Sea). Conhecidas a princípio como as Cidades Livres, conforme acompanhamos a história do único personagem com capítulo naquele canto do mundo, percebemos que a escravidão é algo comum por lá...

A trama

Muitas pessoas têm o costume de pular o prólogo dos livros... Por favor, não façam isso em nenhum dos livros dessa saga! 

Em a Guerra dos Tronos somos imediatamente apresentados a três homens, sem saber onde eles estão e qual é o significado da Muralha, lugar de onde eles saíram e para onde dois deles querem voltar o quanto antes, pois sentem algo estranho no ar. Aqui também somos levemente introduzidos as crenças que rodeiam o mundo de Martin, para só depois conhecermos melhor o que são os antigos e os novos deuses, e onde pode ser que as histórias de gigantes, monstros na escuridão e feiticeiros nos levem.

O prólogo começa leve, com o leitor jogado na mente de um desses três personagens sem ter ideia do que esperar. Eu senti certa apreensão no começo, talvez pelo jeito que os pensamentos do personagem tenham sido escritos ou talvez porque esse foi o primeiro livro que li que chegou com os dois pés no peito, me mostrando que tudo é possível.

Depois começam os capítulos 'normais'. Cada um apresenta um pouco de cada personagem, e aparece de novo a sensação de estar sendo jogado numa história onde você não tem noção do que está acontecendo.

Tudo começa no norte de Westeros, onde vemos toda a família Stark, com o honrado Eddard (Ned), sua esposa Catelyn, e seus filhos Robb, Sansa, Arya, Bran e Rickon. E logo descobrimos que até o mais honrado dos homens tem um filho bastardo, chamado Jon Snow.

Mas Eddard é um personagem importante. Ele é o melhor amigo do Rei Robert Baratheon, e inclusive o ajudou a conquistar o Trono de Ferro quando lutaram contra os Targaryen e o Rei Louco. No entanto, Ned vive com a culpa de ter seu filho bastardo, mantendo sempre em segredo quem é a mãe de Jon, e sempre revivendo a promessa que fez a sua irmã, Lyanna, quando ela estava morrendo. Mas suas preocupações mudam um pouco com a notícia da morte de seu amigo e tutor, Jon Arryn.

Com a morte de Arryn, o Rei pede pra Eddard assumir a função de Mão do Rei, que é uma espécie de conselheiro autorizado a governar na ausência do Rei. Com muita má vontade ele aceita o novo cargo, porque acredita que só assim poderá salvar seu melhor amigo das intrigas da corte e tentar descobrir como Jon Arryn morreu. 

Ao mesmo tempo somos apresentados aos Lannisters, com a rainha Cersei, seu irmão gêmeo Jaime Encantado de Shrek, e seu irmão mais novo Tyrion, o anão. 

A família Lannister é a mais rica de Westeros, logo a mais importante, e também a que tem mais fama de má por causa do papel que desempenharam durante a guerra contra o Rei Louco, Aerys Targaryen, morto por Jaime Lannister, que já era Guarda Real, com o juramento de proteger a família real por toda a sua vida. 

Enquanto isso, do outro lado do mar, conhecemos os únicos sobreviventes da linhagem dos dragões: Viserys Targaryen e sua irmã, Daenerys. O herdeiro do Rei Louco quer reconquistar o Trono de Ferro, e por isso ele é capaz até de vender a própria irmã em busca de um exército.

Sangue e fogo

Intrigas e manipulações correm soltas por todo o mundo conforme os personagens movem suas forças no jogo dos tronos. E em um dos melhores momentos do livro, somos avisados pela Rainha Cersei que nesse jogo não há meio termo, ou ganha ou morre.

Lembro que quando li isso não levei muito a sério, afinal nenhum personagem tinha morrido, mesmo quando isso parecia ser o mais provável de acontecer, mas... Sempre existe um 'mas'!

Nada pode evitar a guerra que começa nesse livro, e tudo o que acontece, mesmo quando planejado pelos personagens para se chegar a uma paz, vai por água a baixo...

A meu ver, torcer por alguns personagens nesse livro é fundamental, mas a lição que o seu Martin passa é que todo mundo pode morrer quando menos se espera! Não tem como não ficar chocado com algumas coisas que acontecem, eu perdi a conta de quantas vezes xinguei o nosso bom mau velhinho por isso e depois me xinguei também porque era óbvio que aquilo ia acontecer, mas ninguém quer que aconteça!

E o fim do livro... Acho que nunca tinha lido um livro com tantos cliffhangers, a ponto de me deixarem curiosa como um gato para saber o que ia acontecer, e ao mesmo tempo com medo do que eu poderia ler a seguir.

Sangue e fogo resumem bem as Crônicas de Gelo e Fogo, apesar de sermos lembrados o tempo todo que o inverno está chegando e com ele as coisas só tendem a ficarem mais sinistras.

Curiosidade 

A banda Blind Guardian tem uma música baseada na Guerra dos Tronos. 

Enjoy! ;]

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[ATUALIZADO EM 24/11/2016]
Livro 2: A fúria dos reis - resenha
Livro 3: A tormenta de espadas - resenha
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