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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Divagando | Harry Potter, Romione e J. K. Rowling

[Esse post pode conter spoiler]

            Harry Potter e os personagens secundários


Rony, Hermione, Luna, Harry, Gina e Neville
Nunca morri de amores pelo protagonista, embora seja difícil não gostar dele. No fundo, acho que gosto dos underdogs, os perdedores, pessoas como Ron, Mione, Neville e Luna. Não que Harry seja uma pessoa feliz e sortuda, exatamente o contrário. A única família que lhe resta o odeia e ele passa boa parte da vida sem saber porquê, seus pais foram assassinados e desde que tinha apenas um ano de idade, tem sido caçado pelo bruxo das trevas mais poderoso que já existiu. É muito azar e tristeza para uma pessoa só. Sinceramente não sei como Harry conseguiu se manter depois do final deprimente de “A Ordem da Fênix”, parabéns a ele pela perseverança.
Essas são as coisas que eu gosto em Harry, o fato de que, apesar de tudo, ele não desiste. Porém, Harry é o protagonista e isso lhe dá certas vantagens. Sim, eu acabei de citar as coisas ruins de sua vida e já estou falando das vantagens. Parece estranho, mas siga comigo.
Como o herói da série, Harry está numa posição em que ele não tem que lutar para ser reconhecido. As pessoas o amam, por uma coisa que ele não lembra de ter feito. Harry passou onze anos de sua vida sem saber que era bruxo, descobre da forma mais abrupta possível, e começa seu primeiro ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Na primeira aula de voo, ele sai voando como se tivesse feito isso a vida toda, torna-se apanhador do time de quadribol, e a justificativa para isso é o fato de seu pai ter jogado na mesma posição quando era estudante em Hogwarts. Harry também conquista facilmente a simpatia de algumas pessoas, especialmente da família Weasley, de Hagrid e de Dumbledore...
Resumindo, a condição de protagonista te dá muitas dores de cabeça, é uma merda, mas há algumas regalias, que compensam muito bem a maldade do autor (porque todo escritor é um pouco “sociopata” com seus personagens).
Voltando aos underdogs da série, temos um grupo apaixonante de azarões ajudando Harry em suas aventuras.
Hermione Granger é uma menina genial, nascida em uma família trouxa, ou seja, uma família de pessoas sem qualquer tipo de magia no sangue, chamada por isso de “sangue-ruim” pelos bruxos adeptos da magia das trevas. No primeiro livro, Hermione é metida, intrometida e não tem amigos. No último livro, Hermione faz uma escolha extremamente difícil e altruísta, em nome de seus amigos e daquilo que acredita, que a tornou uma das melhores personagens femininas da literatura.
Luna Lovegood aparece no quinto livro e é simplesmente muito fofa. Luna é provavelmente a aluna menos popular dos livros, é estranha e as pessoas não entendem seu jeito de ser. Mas o leitor entende e o jeito como nada parece assustá-la ou magoá-la é quase uma lição de vida e você fica desejando ser “tão normal quanto ela”.
Neville Longbotton consegue ser ainda mais fofo que Luna e é a essência do que significa ser um underdog. Passei seis livros torcendo por ele, no quinto livro quase chorei com a história de seus pais, e fui recompensada com um Neville confiante e na liderança da resistência! Que orgulho!
(Também fiquei torcendo por Neville + Luna, mas vamos falar das escolhas românticas da série mais tarde nesse post).
E finalmente, temos meu favorito Ronald Weasley, o Rony (Rupert Grint é responsável por parte do meu amor pelo personagem). Segue um trecho na voz do personagem, para entende-lo um pouco:

 “- Cinco. – Por alguma razão, ele pareceu triste. - Sou o sexto da minha família a ir para Hogwarts. Pode-se dizer que tenho que fazer justiça ao nosso nome. (...) Gui foi chefe dos monitores e Carlinhos foi capitão do time de quadribol. Agora Percy é monitor. Fred e Jorge fazem muita bagunça, mas tiram notas muito boas e todo mundo acha que eles são realmente engraçados. Todos esperam que eu me saia tão bem quanto os outros, mas se eu me sair bem, não será nada de mais, porque eles fizeram isso primeiro. E também não se ganha nada novo quando se tem cinco irmãos. Uso as vestes velhas de Gui, a varinha velha de Carlinhos e o rato velho de Percy.” – Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Tudo bem que, comparada com a família de Harry, a família Weasley é perfeita e Rony não tem do que reclamar, mas nunca é assim tão simples, não é? Só nós entendemos o que nos deprime em nossas famílias e nada vai mudar isso.
No último livro, Rony sente o peso de tudo isso e somado com sua preocupação pela família, ele acaba tomando uma decisão que decepcionou alguns de seus fãs. Falando por mim, ele me decepcionou, mas depois se redimiu e eu consigo entender como ele chegou a isso.
Em tempo, eu sei que não falei da Gina Weasley, mas nunca me importei muito com ela. Isso é mais um problema meu com sua intérprete no cinema do que com a personagem em si, mas Gina não chega a ser uma underdog. Ela tem amigos, namora, e não sofre como Rony por ser a mais nova da família. Pelo contrário, ela tem vantagem por ser a caçula e por ser a única menina.
O que eu gosto em HP é a maneira como tudo o que é escrito sobre os personagens quando eles são apresentados, se ligam harmoniosamente no final do sétimo livro, e podemos ver o quanto eles evoluíram. Podemos perceber o momento em que eles perceberam que não eram mais crianças e que teriam que enfrentar seus medos e inimigos. E qual dos leitores de HP nunca passou por isso?

J. K. Rowling e a fúria Romione


Quando comecei a ler HP eu já gostava de Rony e Hermione e, especificamente depois do quarto livro/filme (O cálice de fogo), comecei a torcer por eles como um casal (Romione). Uma das razões para isso é que não seria o herói a ficar com a mocinha e Rony, que nunca teve nada e sempre ficou em segundo lugar, teria Hermione, que o amaria por quem ele é.
Harry poderia ficar com qualquer uma, que estaria bom para mim, sinceramente nunca me importei com seus pares românticos. A única coisa que eu sabia era que não queria Harry e Hermione (Harmione) juntos.
Eu sei que muita gente torcia por Harmione, mas sempre creditei isso ao fato que as pessoas subestimam a importância e a beleza da relação de irmãos que eu sempre acreditei que eles tinham. Amor de irmão não é menos importante que qualquer outro tipo de amor, seja de amigo, ou o amor romântico. E, sob esse ponto de vista, admito que Harry e Hermione são perfeitos juntos. Mas é só assim, como irmãos. Qualquer outra coisa entre eles, pelo menos para mim, estragaria.
Sei que muitos fãs de Harmione usariam a parceria deles como argumento para justificar o casal, entendo e respeito isso, embora não concorde.
Sobre Romione, os dois passaram várias páginas discutindo, mas ambos eram orgulhosos demais para admitir os sentimentos que começaram a ter um pelo outro. Tive a nítida impressão que foi Rony quem gostou de Hermione primeiro, mas sempre acreditou que poderia perde-la para Harry. A própria J. K. disse que Rony tem problemas de auto-estima, pois sempre ficou à sombra dos irmãos e do melhor amigo, O-Garoto-Que-Sobreviveu.
De fato, ficou claro em “As relíquias da Morte” que Rony não se sentia digno de Hermione e que a qualquer momento ela perceberia isso e escolheria Harry.

“- Vi seu coração, e ele é meu. (…) Vi os seus sonhos, Rony Weasley, e vi os seus temores. Tudo o que você deseja é possível, mas tudo que você teme também é possível… (…) Sempre o menos amado pela mãe que desejava uma filha… menos amado agora pela garota que prefere o seu amigo… sempre segundo, sempre, eternamente na sombra…” - "As relíquias da morte".

Rony precisa lidar com isso o que mostra não apenas amadurecimento, mas a conquista de algo que ele nunca teve: autoconfiança. Você sente isso quando lê o último livro, percebe que Rony precisou superar seus sentimentos de inferioridade, seus preconceitos e principalmente, percebe que ele mudou por causa de Hermione e por ela. É lindo e é mágico.


Daí, a autora resolveu dar uma entrevista polêmica, dizendo que se arrependeu de ter feito Hermione ficar com Rony, e que ela seria mais feliz com Harry.
A pior parte é que ela segue dizendo que espera não estar quebrando corações com essa declaração.
Imagina! Quem se importa com Romione? Quem se importa com Rony? A autora obviamente não, pois declarou em outra entrevista mais antiga que já pretendeu mata-lo. Claro, por que não? Harry não é infeliz o suficiente ainda.
Quando você acompanha uma série por tanto tempo, você se sente um pouco parte dela, um pouco “dono” dela. Você conhece detalhes dos personagens e sente que são como amigos muito íntimos. Eu sei que pelo menos os fãs de Harry Potter se sentem assim.
Levou uma semana para que eu parasse e pensasse nessa declaração friamente.
Acontece que você esquece que a autora conhece os personagens muito melhor que você, sabe o que realmente se passa em suas mentes (sei que são fictícios, mas só que escreve entende do que estou falando), goste você disso ou não. Se J.K. diz que Rony não teria superado sua baixa autoestima tão facilmente, você é obrigado a pelo menos ouvir o que ela está dizendo. Não é o leitor o dono da verdade.
O que não torna a declaração dela menos desnecessária. Para quê reacender a discussão e a guerra de casais que havia entre os fãs dos casais Romione e Harmione? Sério, naquela época as pessoas até esqueciam que os três eram amigos acima de tudo.

“- Ela é como uma irmã – continuou ele. – Eu a amo como uma irmã e acho que ela sente o mesmo com relação a mim. Sempre foi assim. Pensei que você soubesse.” – Harry, em “As relíquias da Morte”.

A declaração de J.K. gerou polêmica desnecessária, quebrou milhares de corações, mas não é capaz de mudar o que está escrito. O que é um alívio, a menos que ela resolva recolher todos os exemplares do último livro por “erro de fabricação” e corrigir seu engano. O que não vai acontecer, então, Potterheads, relaxem. Ninguém vai mexer nos seus personagens preferidos, nem no que aconteceu com eles, nem a própria criadora.


No fim, a única coisa que quero realmente saber é por que J. K. não dá outra entrevista dizendo que se arrependeu de não ter feito Neville e Luna ficarem juntos?
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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Divagando | Fanfics: originalidade x homenagem

Fanfiction: O que é?

Também conhecido com fanfic ou simplesmente fic, o termo nasceu da junção das palavras fan (fã) e fiction (ficção), traduzindo-se como ficção de fã. Explicando melhor, uma fanfiction nada mais é que uma história criada por um fã de determinada obra ou celebridade. Pode ser sobre:
- Livros: Harry Potter, Crepúsculo, Guerra dos tronos;
- Revista em quadrinhos/Graphic Novel: Batman, Homem-aranha;
- Mangas ou animes: Naruto, Bleach, One piece;
- Séries: Supernatural, The big bang theory, Vampire Diaries, Pretty little liers;
- Filmes: Matrix, Meu primeiro amor, ABC do amor, O exterminador do futuro;
 - Artistas: Jennifer Lawrence, Paramore, Tokyo Hotel;
- Ou qualquer coisa de que você seja fã e sobre o quê queira criar uma história;

Há discussões sobre a “legalidade” das fanfictions, pois elas geralmente usam personagens e universos literários criados por outras pessoas, ou usam o nome de pessoas famosas que nem sempre consideram a fic como uma “homenagem”. Há inclusive autores que proibiram o uso de suas obras em fanfics, como Anne Rice, que não quis saber de nenhum fã usando um de seus vampiros em outras histórias.

Cinquenta tons no Crepúsculo

Por falar em vampiros, quem já ouviu falar de um livro sobre uma humana que se apaixona por um vampiro? Sim, estou de novo citando “Crepúsculo” (um caso de amor mal resolvido? Despeito? Pura e simples necessidade? Quem vai saber…). Enfim, a fama de Crepúsculo pode agradar algumas pessoas tanto quanto irrita outras, mas devo reconhecer que o livro de Stephenie Meyer ajudou a tornar o termo fanfiction conhecido do grande público. Não sei ainda se isso é bom o ruim, mas o fato é que foi graças ao livro de Meyer que o mercado literário ganhou um novo brinquedinho sadista para um público masoquista: “Cinquenta tons de cinza” (outra citação repetida, outro amor mal resolvido?). Sim, como muitos sabem – e para os que não sabem – Cinquenta tons é uma fanfiction de Crepúsculo, mas baseada em um universo alternativo.
“50 tons” nasceu com o nome de “Master of the universe”, onde Eddward Cullen seria um CEO misterioso e sadista, que se apaixonada por Bella, uma garota imperfeitamente normal, e a introduz em um mundo em seu mundo de dominação, submissão e jogos eróticos. Não muda muita coisa do enredo que conhecemos de “50 tons” e, pelo que sei, nem as falas originais escritas por Stephenie Meyer são muito diferentes das usadas por E. L. James…

Publicidade na literatura: Quantidade X Qualidade

Quero me concentrar no fato de que uma editora pegou uma fanfiction famosa de Crepúsculo, a transformou em um livro polêmico, e deu início a uma avalanche de livros ruins, oportunistas, e plágios mal disfarçados.
Em tempos mais felizes da literatura, as obras costumavam ser originais, traziam discussão à sociedade ou, pelo menos, alguma distração decente. Hoje, é apenas repetições de padrões, fórmulas de sucesso que não têm nada a ver com qualidade, e sim com jogos de publicidade. Algo que teve início com a busca de substitutos para “Harry Potter” e o próprio “Crepúsculo”, momento em que surgiram centenas de livros juvenis com propostas parecidas, mas sem a metade da magia de seus antecessores.

Fale bem, fale mal…

Sim, estou falando de magia e me referindo também a Crepúsculo. Eu não gosto da série, li apenas o primeiro livro e não há nada que me convença a ler o segundo, mas tenho que admitir que a técnica do “ame-o ou odeie-o, mas fale dele” deu muito certo. Crepúsculo é amado por uns e odiado por outros na mesma medida. Você saberia dizer com certeza se essa saga tem mais amantes do que inimigos? Eu não.
O problema é que Crepúsculo abriu um triste precedente publicitário no mercado. A mesma tática foi usada em Cinquenta tons de cinza, que se tornou um fenômeno de vendas e, ao mesmo tempo, de rejeição.

Deus do sexo dominador

Por sua vez, 50 tons abriu as portas para os romances eróticos, que andavam esquecidos, e ajudou a mostrar para o mundo que mulheres também gostam de sexo. As editoras não perderam tempo e estão tirando de seus arquivos aqueles velhos manuscritos perdidos, a maioria provavelmente destinada a ser mais um título desimportante de outra edição de Sabrina.
Ao invés disso, ganharam um ar de importância não merecida e estão enchendo as livrarias com romances que mais parecem cópias uma das outras, tudo muito parecido. Maior exemplo disso é “Toda sua”, livro erótico de Sylvia Day, que admitiu ter baseado sua história no próprio “50 tons”. Tudo bem, Sylvia Day escreve melhor que E. L. James, mas isso não vem ao caso.
Se eu pegar mais um livro sobre um CEO de uma empresa próprio, que seja jovem, forte, “deus do sexo” e dominador, eu não sei se aguento. É tanta vergonha alheia pelos autores desses livros, que dá pena.
Aliás, “Deus do sexo dominador” até parece aqueles anúncios que enfeitam os telefones públicos: “Ninfeta loira”, “Morena fatal” e outros clichês que não sei porque ainda funcionam.
Cadê a originalidade? A pergunta serve tanto para os autores quanto para os garotos de programa. CADÊ A ORIGINALIDADE?

Fanfictions: Falta de originalidade, homenagem ou treino?

Podemos ficar com um pouco dos três? Okay, eu admito, eu sou ficwriter (escritora de fanfics) e, às vezes, me sinto culpada por isso. Eu queria poder dizer que as histórias que criam usando personagens de outro autor são minhas, mas não sei se isso é totalmente verdade. Por definição, os personagens pertencem a outro autor, então eu não teria direito de usá-los. A melhor desculpa que eu e outros ficwriters usamos é que as fics não têm interesse comercial, são apenas "brincadeira" de fã, servem para divulgar a obra original e conhecer outras pessoas com os mesmos interesses. E para treinar.
"Ah, mas não pode treinar com seus próprios personagens?". Bem, sim. Na verdade, deveríamos treinar assim, mas é divertido brincar com nossas histórias e personagens favoritos. Eu, pelo menos, quando começo a gostar de um livro, começo a criar mil e uma outras possibilidades de interação entre os personagens e isso faz a minha mente trabalhar. Gosto de compartilhar isso com outras pessoas que gostam das mesmas coisas e sempre deixo os devidos créditos.
Claro, é difícil olhar para tudo o que você escreveu e não ver ali algo que seja seu. A fanfic é sua e se eu soubesse alguma forma de desapegar delas, eu usaria agora mesmo.
No entanto, vamos ampliar um pouco mais essa discussão. Você sabe o que são fanarts? (Fan = fã + Art = Arte), em outras palavras, são desenhos feitos por fãs de seus personagens ou celebridades favoritos. É um outro jeito de contar uma história, mas ao invés de palavras, usa-se o desenho. Você julgaria alguém por desenhar Harry Potter ou Naruto ao invés de criar um personagem próprio e desenhá-lo? Se o desenhista faz isso para homenagear ou para treinar, você pode acusá-lo de falta de originalidade?
"Como isso é diferente do que foi discutido no tópico anterior?"
Os livros comentados no tópico anterior querem vender em cima de sucessos anteriores, que abriram as portas do mercado, e não estão preocupados com qualidade. As fanfics e as fanarts só querem declarar seu amor às outras obras. Isso é errado? Se for, eu gosto de fazer coisa errada.
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domingo, 8 de setembro de 2013

Livro | Divagando | Séries literárias: a tentação, a armadilha e o vício

Eu realmente - realmente - deveria parar de ler séries literárias e começar a me interessar por livros "solos". Das últimas três séries que comecei a ler, todas estão inacabadas, e duas aguardam mais que dois livros para serem concluídas.
Jogos Vorazes - Suzanne Collins

O problema e a graça das séries é que é um jeito das histórias durarem mais tempo. Elas são feitas para quem gosta muito de livros, adora a sensação de entrar em um outro universo e tem enormes dificuldades para sair dele, como eu. Naquele momento em que a história acaba e você sente um vazio estranho, como se nunca mais fosse ver seus amigos novamente - os amigos que você fez no livro, conhecendo a história deles, compartilhando de seus momentos, enfim...

Ao final de um livro, você tem algumas opções:

1) Começar logo a ler outro livro - o que nem sempre é fácil, pois alguns livros fazem o leitor entrar de tal forma na história que é difícil sair.

2) Ler fanfictions. Mas há sempre o risco de não haver fanfics suficientes naquele fandom, ou os ficwriters serem muito ruins. Há também quem goste de escrever as próprias fics

3) Reler até quase enjoar. Cuidado com o "quase".

4) A terceira opção deve ser considerada antes mesmo de começar a ler qualquer livro. Trata-se simplesmente de passar a preferir livros que fazem parte de uma série. Assim, a história vai durar muito mais.

Considerações feitas, segue abaixo algumas das minhas experiências com séries literárias:

Harry Potter e a pedra filosofal - J. K. Rowling
Quando comecei a ler "Harry Potter", a série também estava inacabada, mas só faltava o sétimo livro ser lançado e eu tinha ainda seis outros livros para ler. Sem pressa, pois minha compulsão por leitura ainda não estava enraizada no meu ser, como é hoje.

Com "Jogos Vorazes", os três livros já tinham sido lançados e a série estava terminada, então lê-la foi quase indolor. E foi quando percebi que eu tinha essa fraqueza por séries, pois quando terminei, em minha leitura mais rápida até então (três livros em  dias), eu ainda queria mais. Como não havia, reli os três livros.

Os três livros de "O senhor dos anéis" eu li em uma edição de volume único, e nunca terminei o terceiro livro... claro que eu amo OSDA!!! Mas não estava com muita paciência de ver a viagem de volta dos hobbits ao Condado, após ter sérias dificuldades em passar por Tom Bombadil no primeiro livro. Isso quando os quatro pequeninos - Frodo, Sam, Pippin e Merry - estavam em seu caminho despreocupado até Bri. Eu sei que ainda há coisas para ler após o anúncio do casamento entre Faramir e Eowyn, especialmente no Condado, o que provavelmente me explicaria porque Frodo teve de partir... coisa que nunca entendi no filme. Mas realmente não estou afim. Talvez um dia, mas não vejo isso acontecendo em um futuro próximo.

Droga da Obediência - Pedro Bandeira

A série "Os Karas", de Pedro Bandeira, já havia sido concluída há muito tempo quando eu comecei a lê-la no primeiro ano do Ensino Médio. Os cinco livros levaram três anos para serem lidos. Eu terminei antes de começar minha história de amor com os livros de J.K. Rowling, os sete "Harry Potter". O que corrobora com minha suspeita de que foram esses livros que me iniciaram nessa tortura literária que é se tornar dependente de "livros-sequência".

"Os Karas" me fez querer mais ainda ler "Harry Potter", o que me levou a "O senhor dos anéis" e as coisas se seguiram, formando meu gosto literário de hoje.

Um dos livros que caíram na minha preferência a partir dessa tríade perigosa citada acima, foram os livros da série "A Torre Negra" de Stephen King, com seus sete livros já publicados, dos quais li apenas dois. Até agora. O motivo por trás do meu atraso é que o terceiro livro pertence ao meu namorado e ele o está lendo. Lentamente. Muito lentamente. (A implicância é gratuita, amor, por favor, não se sinta pressionado =P)

Ah, e não posso esquecer-me de outro autor brasileiro que anda me deixando curiosa por mais leitura: Eduardo Spohr e seu universo, com o recente lançamento do segundo livro da série "Filhos do Éden".

A guerra dos tronos - George R. R. Martim
Sem falar em George R. R. Martim, que surgiu na minha vida com suas "As crônicas de gelo e fogo". Na qual eu me encontro empacada no terceiro livro, com mais dois pela frente já publicados, e a perspectiva de mais dois ou três livros serem escritos e lançados sabe-se lá quando...

Tudo bem que há o pequeno, mas significativo, fato de consegui escapar de pelo menos uma armadilha das séries - sobrevivi sem danos permanentes ao primeiro livro da saga "Crepúsculo".

O que não me protegeu de "Cinquenta tons de cinza", mas foi uma leitura chiclete que chegou e passou, já superada. No entanto, fui pega por "Crossfire", romance erótico de Sylvia Day e por "O inferno de Gabriel", trilogia de Sylvain Reynard.

Outras séries também foram começadas, mas uma não vale a lembrança e a outra - "as crônicas vampirescas de Anne Rice" - foi apenas adiada.

Séries tornaram-se rapidamente um ciclo vicioso, que dá um  novo sentido ao termo "ressaca literária".

Se você decidir por esse caminho, você precisa ter duas coisas em mente:

1) Nem sempre a série que você começou a ler, já teve seu fim publicado, e é muito difícil esperar pelo próximo. Pergunte para qualquer fã de "A guerra dos tronos" e eles vão confirmar o que digo.

2) Você precisa ser forte para aceitar que aquele é mesmo o fim. Quando o sétimo e último livro de Harry Potter foi lançado, eu estava entre aqueles que tiveram alguma dificuldade para aceitar que não haveria um oitavo livro.

Quanto a mim, cá estou eu esperando, esperando, esperando... e acrescentando, eventualmente, mais séries literárias finalizadas ou não à minha lista. Faz parte da tortura auto imposta de uma leitora compulsiva, resignada, incurável e decididamente nada arrependida.

=D
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