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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Séries literárias em andamento

 Olá você!

Bom, aproveitando que hoje estou no pique de arrumar esse blog e dar a ele uma nova identidade, vou continuar com a lista de séries que li, estou lendo e as que abandonei.



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| EM ANDAMENTO |

1 | As crônicas de gelo e fogo | George R. R. Martin  (5 publicados) - Eu gosto muito dessa série. Estou lendo "O festim dos corvos" beeem devagar.

1.1 | A guerra dos tronos

1.2 | A fúria dos reis

1.3 | A tormenta de espadas


2 | Harry Potter (eng) | J. K. Rowling (7) - só treinando meu inglês

2.1 | The sorcerer's stone

2.2 | The chamber of secrets


3 | The Hunger Games Trilogy | Suzanne Collins (3) - só treinando meu inglês 2.0

3.1 | Hunger games

3.2 | Catching fire


| TERMINADAS |

1 | As crônicas de Nárnia | C. S. Lewis (7) - para ser bem sincera, apesar de reconhecer a qualidade da história, da escrita e a importância desses livros, eu não gosto dessa série. Eu fui criada em uma família católica e a referência de Aslam como a figura de Deus em Nárnia não me passou despercebida. Só que eu não acredito em religião e sempre questionei muitas coisas a respeito do cristianismo. Então, pelo menos para mim, a história não funcionou. O maior problema, para mim, veio na leitura de A Última Batalha. Eu achei que o desfecho fazia um deserviço no que se refere a respeitar outras formas de pensar, outras religiões e como uma pessoa decide viver a vida dela. Além disso, não gostei de como a história de Nárnia é contada em forma de episódios.


2 | Harry Potter (pt) | J. K. Rowling (7) - eu sei que colocar o nome dessa série e dessa autora nas listas, hoje em dia, é complicado, mas eu não vou fingir que Harry Potter não foi importante na minha vida. É um dos principais motivos para eu ser leitora hoje. E influenciou a minha vida muito mais além. Eu só queria dizer que isso não significa que eu concordo com a visão da Rowling a respeito de pessoas trans e acredito que o posicionamento dela desvalida a luta e a existência dessas pessoas. Ela está errada e eu não apoio sua opinião preconceituosa.


3 | O iluminado | Stephen King (2) - eu gosto muito dos dois livros, mas eles são muito destoantes um do outro. O Iluminado é tenso e faz você se sentir mal. Doutor Sono é estranhamente mais leve, apesar de ter cenas muito pesadas, envolvendo crianças e... é uma dualogia muito boa, mas não sei se todo mundo vai gostar do segundo livro. Mas, só para você saber: não é preciso ler Doutor Sono se não tiver interesse. O Iluminado se encerra muito bem em si mesmo. Doutor Sono é... diferente.


4 | Se eu ficar | Gayle Forman (2) - eu li esses dois livros porque me emprestaram o livro... e é isso.


5 | The Hart Family | Ella Fox (6) - olha... o problema com romances eróticos é que eles são machistas, mesmo quando escritos por mulheres. Mas para quem tem a cabeça muito bem resolvida, dá para passar por cima disso. Às vezes um livro pode ser apenas entretenimento, sabe?


6 | Trilogia Jogos Vorazes | Suzanne Collins (3) - eu amo, amo, amo e vivo relendo essa série. Eu não sou a maior fã do terceiro livro, mas cada vez que releio, mais eu gosto. Sério, leia.


| HIATUS |

1 | A Torre Negra | Stephen King (7) - Não estou pronta para o pessimismo do King.

1.1 | O pistoleiro

1.2 | A escolha dos três 


2 | Crossfire | Sylvia Day (5) - Preguiça.

2.1 | Toda sua

2.2 | Profundamente sua

2.3 | Para sempre sua

2.4 | Somente sua


3 | The Renegade Saints | Ella Fox (4) - Boas chancces de ir para a lista das abandonadas.

3.1 | Picture perfect

3.2 | Twist of fate

3.3 | Something to believe in


| ABANDONADAS |

1 | Cinquenta tons | E. L. James (3 de 5) - eu cheguei a ler os três livros da série, um seguido do outro, e não chego a odiar, mas acho a história toda absurda e perigosa. E boba, o que a torna ainda pior. Mas enfim. Eu a colocaria em Terminadas, mas a autora resolveu lançar dois livros com o ponto de vista do Grey, e acho que vai lançar um terceiro livro. Eu não tenho nenhum interesse nisso.


2 | Forever Black | Sandi Lynn  (3 de 5)


3 | Os Karas | Pedro Bandeira | (4 de 5) - eu li no ensino médio e me ajudou a voltar a ler, como fazia quando criança. Mas eu já estava velha demais quando saiu o sexto volume, A Droga da Amizade, e não tenho vontade de completar a série, apesar de gostar muito dela.


4 | Real, raw and ripped | Katy Evans | (3 de 5)


5 | Trilogia Divergente | Veronica Roth | (2 de 3) - Ai cara. Como levar a série Divergente quando você já leu Jogos Vorazes? O primeiro livro é ok, o segundo já dá preguiça. O terceiro eu abandonei, porque não dava mais.


| DESISTÊNCIA |

Aqui, estão as séries que só li o primeiro livro e decidi não seguir em frente.

1 | A Saga Crepúsculo | Stephenie Meyer | Crepúsculo - Ah, então... eu não suporto a Bella. Acho que a história poderia se beneficiar em não ser em primeira pessoa. Mesmo assim, a relação dela com o Edward é desconfortável de acompanhar. Mas confesso que uma parte de mim ainda gostaria de ler a série toda. Mas só se eu tivesse os livros físicos. Eu não vou atrás disso.

2 | Cretino irresistível | Christina Lauren - Não tenho uma boa explicação para o fato de ter lido esse primeiro livro...

3 | Luxúria | Eve Berlin - eu... também não sei porque li.

4 | Trilogia dos Mosqueteiros | Alexandre Dumas | Os três mosqueteiros - Eu quis tanto gostar desse livro, mas no fim, foi só... ok. Eu gosto muito do filme "O homem da máscara de ferro", mas eu tenho preguiça de ler os próximos dois livros e acabar me decepcionando com a história.


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Em breve, espero atualizar essa lista, com títulos melhores e mais interessantes.
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sábado, 8 de julho de 2017

Trilogia dos mosqueteiros 1: Os três mosqueteiros - Alexandre Dumas

Os três mosqueteiros foi um dos livros que mais despertaram minha curiosidade ao longo desses anos como leitora. Eu conheci a história quando era criança, através do filme de 1993, que passava na Sessão da Tarde, com nomes como: Charlie Sheen (Aramis), Kiefer Sutherland (Athos), Oliver Platt (Porthos), Chris O'Donnell (D'Artagnan) e Tim Curry (Cardeal de Richelieu). Eu não lembro de muitos detalhes do filme, porque eu era muito pequena, mas lembro que me divertia quando passava... Hoje em dia acho apenas curioso que Charlie Sheen tenha atuado como Aramis...

A leitura é surpreendentemente fácil e fluída, por causa dos diálogos - cumpridos demais, na minha opinião, mas justificados pelo simples fato de que a história foi escrita em formato de folhetim e, à época, os autores ganhavam por página/palavras. Ou seja... para bom entendedor, meia palavra basta, mas para bom escritor, talvez seja necessário o dobro de palavras...

Calma, não estou falando mal do livro nem do autor. Eram outros tempos e o livro não é ruim. Longe disso. O que acontece é que eu e o Alexandre Dumas tivemos algumas diferenças ao longo dessa leitura. Enquanto eu tentava me lembrar que o livro foi escrito por volta de 1800 e que sua história se passa nos idos de 1600, e, por mais que eu tentasse entender que os personagens e suas atitudes refletissem essa época, algumas coisas na história iam me deixando cada vez mais desanimada com as diferenças culturais dos séculos que nos separam.

Outra dificuldade foi lidar com o protagonista, o rapazote D'Artagnan. Eu sei que boa parte desses personagens foram pessoas que realmente existiram, pois Os três mosqueteiros é um romance histórico. Mesmo assim, não consegui me desapegar da minha antipatia pelo protagonista. Ele tem todas aquelas qualidades clássicas dos heróis: ele é jovem, impulsivo, sagaz quando quer, apaixonado pelo sexo feminino e bom de luta. Ora, não tem como errar com um personagem desses. Além disso, a história tem um constante tom de aventura, comédia e ironia, então eu tenho certeza que o personagem e suas aventuras agradam muita gente (desnecessário dizer, já que o livro é um dos clássicos universais obrigatórios da literatura).

A história tem um ritmo acelerado, nunca ficando muito tempo parada, mas ao mesmo tempo, sem parecer chegar a lugar algum. O tempo todo D'Artagnan sai de uma situação difícil e logo se mete em outra, enquanto a trama principal acaba ficando esquecida por um tempo, para voltar triunfante no final. O que é muito bem feito pelo autor.

*

D'Artagnan é um jovem que, por recomendação do pai, segue para Paris com o sonho de se tornar Mosqueteiro. Para isso, seu pai escreve uma carta para um amigo, o comandante dos Mosqueteiros, recomendando-lhe o filho para o serviço do rei. No entanto, no meio do caminho para Paris, D'Artagnan se mete em uma briga com um homem misterioso, que lhe rouba a carta. Na ocasião, ainda, D'Artagnan testemunha esse mesmo homem falando com uma mulher que aparenta ser da alta sociedade.

Em Paris, os problemas de D'Artagnan não terminam. Ao reconhecer o homem com quem teve aquela desavença, ele começa a persegui-lo pela cidade, esbarrando em outras pessoas pelo caminho: os três mosqueteiros mais encrenqueiros de Paris. O primeiro, Athos, marca um duelo para o meio-dia. O segundo, Porthos, marca outro duelo para a uma hora. O terceiro, Aramis, outro duelo para as duas horas. O encontro dos quatro homens é interrompido pelos guardas do Cardeal, com quem travam uma batalha sangrenta. Pelo valor demonstrado em combate, D'Artagnan conquista a confiança dos outros três e a partir desse momento, eles não mais se separaram. E aí está a minha parte favorita do livro inteiro: a amizade entre os quatro personagens centrais. "Todos por um e um por todos".

O Cardeal de Richelieu é logo no começo apontado como o principal vilão do livro, porém, mais adiante, quem se destaca é Milady. Geralmente, assim como não morro de amores por protagonistas, também não costumo gostar dos vilões. Ou, pelo menos, não tenho a tendência de "romantizar" ou "simpatizar" com eles. Porém, nesse livro, minha personagem favorita foi justamente Milady. Não que tenha sido assim logo de primeira, mas à medida que Dumas deu mais espaço para a personagem e suas maquinações, eu não consegui mais desgrudar os olhos do livro.

Apesar de não ser uma personagem trabalhada profundamente e tendo apenas ambição como força motriz, Dumas conseguiu me convencer que essa mulher é forte, inteligente e perigosa.

Nenhuma outra mulher na história recebe melhor tratamento do autor. Algumas mais inocentes e outras mais indecentes, todas parecem "vis e danosas". Porém, é aquela coisa, esse é um livro escrito em outra época, refletindo valores de outras épocas.

Os três mosqueteiros é uma boa pedida para quem gosta de aventuras e personagens caricatos. É uma história leve e bem humorada, que leva seu próprio tempo para evoluir para algo mais sério e até violento.

Apenas procure não ser tão mal humorado quanto eu e vai aproveitar melhor...

*


Os três mosqueteiros é o primeiro livro d'A trilogia dos mosqueteiros, composta também pelos livros Vinte anos depois e O Visconde de Bragelonne. O primeiro livro foi adaptado várias vezes e se tornou uma história conhecida no mundo todo - mesmo quem não leu os livros conhece os nomes de Athos, Porthos, Aramis e D'Artagnan. O filme O homem da máscara de ferro adapta a história do terceiro livro.
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sábado, 24 de setembro de 2016

As brumas de Avalon (série) - Marion Zimmer Bradley

Ficha -
Título: As brumas de Avalon - série
- A Senhora da Magia - 248 páginas
- A Grande-Rainha - 229 páginas
- O Gamo-Rei - 211 páginas
- O Prisioneiro da Árvore - 239 páginas
Autor: Marion Zimmer Bradley
Ano de publicação: 1982
Editora: Imago Editora

[Atualização em 2021: recentemente eu vi matérias em que a filha de Marion Zimmer Bradley acusa a mãe e o pai de pedofilia. Eu não consegui encontrar maiores informações sobre, mas achei melhor avisar que, quando escrevi essa resenha, em 2016, eu não sabia do histórico da autora e achei melhor avisar o leitor daqui também.]


As brumas de Avalon é uma quadrilogia que faz parte do Ciclo de Avalon, um conjunto de livros que contam a história da Bretanha, sob o ponto de vista de personagens femininas. Essa também é a proposta de Marion Zimmer Bradley aqui: contar a lenda de Artur sob o ponto de vistas das muitas mulheres que, de uma forma ou de outra, influenciaram o destino da Bretanha, tendo como pano de fundo o crescimento do Cristianismo e sua dominação dos territórios e religiões pagãs. A maior parte das personagens femininas que aparecem no livro são seguidoras da Antiga Religião, que segue a Grande Deusa.

Os livros seguirão a trajetória de Artur desde os eventos que tornaram possível seu nascimento, sua ascensão e queda como Grande-Rei e sua morte. E isso não é spoiler, porque está na lenda.

Eu vou falar rapidamente sobre os dois primeiros livros, que são os que preparam o caminho e apresentam os elementos mais interessantes. Os dois últimos livros eu vou deixar um pouco de lado, por razão de conterem muitas informações que estragariam a experiência de leitura.



Livro um - A Senhora da Magia

"Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. (...) E agora que o mundo está mudado (...) é preciso contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por toda parte os seus santos e suas lendas. (...) Talvez a verdade se situe em algum ponto entre o caminho para Glastonbury, a ilha dos padres, e o caminho para Avalon, perdido para sempre nas brumas do Mar do Verão.
Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada."

No primeiro livro, conhecemos Viviane, a Grande Sacerdotisa de Avalon. Ela é uma mulher pequena e poderosa, que deseja salvar a Bretanha dos saxões e, ao mesmo tempo, garantir que essa terra seja governada por um rei fiel tanto à Antiga Religião, quanto ao Deus Cristão. Para isso, ela visita sua irmã, Igraine, e lhe diz que esta deve dar à luz um menino, que será educado entre os druídas e se tornará Grande-Rei da Bretanha. Igraine, que não acredita que seu marido, Gorlóis, seja eleito herdeiro do atual rei, é avisada que conhecerá outro homem, este sim herdeiro do rei, e que deverá ter um filho com ele.

A ideia da traição desagrada Igraine, mas as circunstâncias a forçam a tomar uma posição. Quando seu marido é morto em batalha e Igraine se casa com Uther Pendragon, eles geram Gwydion, que mais tarde seria chamado Artur pelos cristãos.

Quando seus filhos, Artur, filho de Uther, e Morgana, filha de Gorlois, chegam à idade considerada ideal para iniciar os aprendizados da Antiga Religião, Igraine precisa entregá-los para seus destinos. Artur é levado por Taliesin, o Merlin da Bretanha, para ser criado entre os druídas. Morgana é levada por Viviane, para Avalon, para se tornar a próxima sacerdotisa.

Os dois irmãos são, então, criados separados, sem qualquer contato durante os anos de crescimento. No entanto, no dia da coração de Artur, no qual ele deve prometer ser leal à Avalon e impedir que as religiões pagãs sejam condenadas e esquecidas pelos padres cristãos, os destinos dos irmãos voltam a se cruzar.

Livro dois – A Grande-Rainha

" (...) Um rei deve proteger seu povo dos invasores, dos estrangeiros e chefiá-los na sua defesa. O rei tem de ser o primeiro a colocar-se entre a pátria e todo o perigo, assim como o camponês se levanta para defender suas campos contra qualquer ladrão. Mas não é seu dever proibir ao povo aquilo que, no mais fundo do coração, esse povo deseja."

Começando apenas alguns meses após o término do primeiro livro, aqui vamos acompanhar a trajetória de Morgana, após ela ter abandonado a ilha de Avalon, rebelando-se contra a vontade da Deusa, e de Viviane.

Também vamos conhecer outra personagem que terá grande importância na vida de Artur, sua esposa Guinevere – ou Gwenhwyfar, como será chamada a maior parte das vezes. Gwenhwyfar é uma dama cristã e muito religiosa, que é dada em casamento como parte de um acordo que garantiria a seu marido, o rei, os cavalos de seu pai. No entanto, pouco antes de ser levada ao altar, seu coração é capturado pelo jovem capitão da guarda de Artur, o belo e forte Lancelote.

Gwenhwyfar se torna cada vez mais fervorosa em sua fé, acreditando estar sendo punida com infertilidade, por causa de seu amor por Lancelote. Ela convence Artur a abandonar os símbolos pagãos e levar a cruz do Cristo em batalha. Artur, que não é um homem dado a discussões, faz o que a esposa lhe pede e sua atitude é tida como traição do seu juramento à Avalon.

O que achei

Para começar, não sei se os livros vão agradar ao público em geral. Como o livro foi escrito há vários anos e não chega nem perto da popularidade de livros como O senhor dos aneis, e mesmo da trilogia de Bernard Cornwell, As crônicas de Arthur, que usam a mesma lenda como pano de fundo, creio estar certa ao afirmar que As brumas de Avalon acabam sendo deixadas de lado, e isso é injusto.

Vale lembrar que essa é uma série escrita por uma mulher, com personagens femininas fortes que têm real poder sobre os destinos dos personagens masculinos. Além disso, trata-se de uma história que não lida com o Cristianismo com a devoção a que estamos acostumados (quem já leu As crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, vai ter uma ideia do que estou falando).

Eu, que não sou mais cristã, que sou feminista, e tenho interesse pelas religiões pagãs (pelo conhecimento histórico atrelado a elas), gostei muito de As Brumas de Avalon. Mas você não precisa de tudo isso para gostar. Basta ter a mente aberta e gostar de histórias e personagens bem desenvolvidos. E de uma boa dose de fantasia medieval.

Essa é uma história poderosa, com personagens fantásticos – e incluo os personagens masculinos. Todos são bem descritos e têm suas motivações bem construídas. E mesmo a personagem mais odiada – Gwenhwyfar – pode ser tratada com justiça quanto ao desenvolvimento narrativo e no final eu cheguei a gostar dela.

O que eu não gostei é que em vários momentos a história se arrasta sem que nada de muito interessante esteja acontecendo. Algumas descrições de feitiços e Visões que algumas personagens têm, são um pouco confusas, mas nada que chegue a atrapalhar a narrativa. No entanto, é preciso levar em consideração que a história narrada nesses quatro livros se passa no decorrer de vários anos. Como eu disse, Marion narra desde antes do nascimento de Artur até sua morte.

Adorei ler sobre como a figura da mulher era importante nas religiões antigas, a dádiva da fertilidade, e o equilíbrio com a natureza. Por isso mesmo, eu não conseguia desgrudar os olhos da página sempre que a narração se concentrava em Morgana. Eu amei essa personagem. Ela é forte e frágil, inteligente e ingênua, poderosa e mortal. Como faz falta personagens assim! Sério, quando foi a última vez em que você leu uma personagem feminina que não te desse vontade de bater a cabeça na parede? E não precisa ser feminista para isso, amiga.

Sobre a minha edição de "O Prisioneiro da Árvore", livro quatro.

Eu não comprei esses livros, mas os ganhei de presente de uma colega de trabalho, em 2014. Um presente que me deixou muito feliz, mesmo que esses fossem livros usados. Eu li o primeiro livro em 2015, o segundo em fevereiro de 2016, e o terceiro agora em setembro. E então, animada com a história, comecei o quarto logo em seguida. Tudo ia muito bem, eu já declarando amor eterno à saga de Morgana, quando chego nas páginas 162 e 163 e encontro isso:



E ficou pior, porque o mesmo problema se repetiu nas páginas 166-167, 170-171 e 174-175.

...

Eu fiquei puta! Porque eu já tinha perdoado erros de digitação, falhas na impressão que comiam pedaços de palavras e frases... mas oito páginas inteiras borradas? Aí já é demais! Mandei e-mail para a editora, mas foi a mesma coisa que nada.

Eu sou perfeccionista e muito chata com meus livros. E pensar em guardar esses livros desse jeito me chateia. Claro que eu posso passar adiante, mas não seria justo com quem receber. O que me deixa aprisionada a um livro que não dá para ler. Claro que eu dei um jeito, mas é aquela coisa... depois que a gente baixa PDF, a gente que é ruim!

Enfim, só queria deixar aqui minha revolta e um alerta para vocês: exijam excelência das editoras, porque a gente paga caro nos livros delas!

De qualquer forma...



Eu realmente espero que vocês dêem uma chance aos livros, mesmo quando a leitura parecer arrastada, por que é uma daquelas histórias que vão acrescentar alguma coisa na sua vida.

Essa história tem tudo, intriga política, magia, amor, traição, incesto, discussões teológicas, liberdade feminina, construção de personagens e estilo narrativo! É muito bom!

E boa sorte na edição de vocês! A minha é de 2008 e sei que tem outras mais novas por aí.

Os quatro livros foram transformados em filme em 2001, que foi o meu primeiro contato com a obra. O filme tem quase 3 horas de duração, e resume a história de Artur e Morgana da melhor forma possível. Ele foi lançado direto em vídeo e DVD, então não faço ideia de onde vocês podem conseguir, mas sei que vocês podem dar um jeito nisso ;)

*

E você, já leu As brumas de Avalon? Gostou? Deixe seu comentário e vamos conversar a respeito :)

Tenham uma boa semana e até mais!
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terça-feira, 25 de março de 2014

Trilogia Divergente 1: Divergente - Veronica Roth

1º livro da trilogia de Veronica Roth: "Divergente"
A história se passa em uma Chicago distópica, delimitada por uma cerca e guardada por homens armados, onde a sociedade se dividi em cinco facções:
Abnegação – que prega o altruísmo e a ausência de vaidade. Geralmente, os líderes dessa facção são eleitos para o Conselho da cidade, por terem o espírito livre da tentação pelo poder. Não é a minha facção. Sou mão de vaca mais do que abnegada e ando meio cansada de pensar nos outros.
Amizade – que é bem parecida, pelo menos ao meu ver, com a Abnegação, embora eles não tenham nenhum problema com vaidades, nem sejam tão compromissados com o altruísmo. Essa facção busca a paz e o diálogo. Sua sede parece um bom lugar para passar o verão, mas eu não sei se conseguiria passar o resto da minha vida seguindo esse padrão. A Amizade é responsável por distribuir os alimentos que eles cultivam.
Audácia – é o grupo que fica responsável por guardar as cercas da cidade, embora nem mesmo eles saibam direito o motivo para tanta precaução. Uma ou duas vezes no primeiro livro, haverá a pergunta: “o que há do outro lado da cerca?”. Também não é a minha facção. Sou indecisa e medrosa até o osso.
Erudição – o maior tesouro deles é a informação. São responsáveis pela tecnologia, pelas pesquisas químicas, físicas, biológicas, e, para resumir, são os gênios da história. Provavelmente seria a minha facção, mas não sou tão inteligente. Eu ficaria na biblioteca, lendo e passando despercebida. Talvez resenhando alguns livros aqui e ali…
Franqueza – não lembro qual o papel deles nessa sociedade, acredito que sejam os juízes, ou sei lá. Realmente não lembro se foi dito algo a respeito (mea culpa). O que eu sei é que eles possuem o Soro da Verdade, que parece bastante útil se você é um juiz. Eles são comprometidos com a verdade, doa a quem doer. Eu passaria bem longe dessa facção, tenho dificuldade em lidar com pessoas que não sabem controlar a língua.
Todas as pessoas nascem em uma facção, aquela à qual seus pais pertencem e apenas uma vez têm a oportunidade de escolher se permanecem em sua facção de nascimento ou se procuram uma que se adapte melhor à sua personalidade e às suas “ambições”, por assim dizer.
Essa oportunidade acontece quando os jovens completam dezesseis anos. Se escolherem trocar de facção, precisam ter em mente que será necessário abandonar suas famílias, amigos e todo o estilo de vida ao qual estava acostumado. A partir do momento em que escolhem uma facção, os jovens se mudam para a sua sede e assumem completamente o seu ideal e seu comportamento.
Para ajudar nesse processo, os jovens passam por um teste de aptidão, que lhes dirá com qual facção eles têm mais afinidade. O teste é programado de modo que cada escolha da pessoa elimine a possibilidade dela ser apta a uma das facções, até que reste apenas uma.
É justamente aos dezesseis anos que conhecemos Beatrice Prior, uma jovem que vive com seus pais e seu irmão, Caleb, em uma casa simples no setor da cidade pertencente à Abnegação. Ela vê sua facção com prós e contras, não sendo capaz de aceitar a submissão, mas admirada com a boa vontade das pessoas. Enquanto tenta decidir se continuará com sua família, a quem ama, ou se seguirá um caminho no qual se encaixe melhor, Beatrice enfrenta suas dúvidas calada. Ela espera conseguir alguma ajuda com o resultado do teste de aptidão, mas é ai que as coisas ficam mais complicadas para ela.
O teste de aptidão de Beatrice, no entanto, é inconclusivo, mas não por ela não ter afinidade com nenhuma facção (o que significaria se tornar uma sem facção – uma mendiga, vivendo da bondade da Abnegação, provavelmente). Beatrice tem aptidão para três facções: Abnegação, Erudição e Audácia.
Só tem um problema. Não é comum que um teste de aptidão dê mais de um resultado. É ainda mais raro que o teste dê três resultados possíveis. Beatrice não é uma garota comum. Ela é uma Divergente. O que isso significa, de verdade, o leitor só descobre lá no final do livro, e tudo o que ele precisa saber até chegar lá é que ser Divergente não é visto com bons olhos por essa sociedade.
Mas é só lá nas últimas páginas que você descobre para onde a história está indo, depois de muito lenga-lenga sobre a iniciação da Audácia, o que é ser Divergentes, um romance que nasce meio do nada, tentativas de vencer o medo, e uma trama de suspense que demora para se apresentar. Ah e vale o mesmo conselho que recebem todos os que se aventuram nas primeiras páginas de Guerra dos tronos: não se apegue a ninguém. Sério! Tem gente que vai morrer logo no primeiro livro. E mais gente que vai morrer no segundo. E até já sei quem morre no terceiro (pois é, tomei spoiler).
Embora só um trabalho psicológico muito forte convenceria tantas pessoas que elas só podem ser uma coisa, de cinco: ou você é abnegado, ou amigo, ou audaz, ou erudito, ou franco. O tema desse livro está na ideia que todos podemos ser um pouco de cada coisa e que não nos enquadramos em um padrão. Seria impossível. Nenhum ser humano é igual a outro. A questão que Veronica Roth tentou levantar nesse livro tem mais a ver com a natureza humana que com política. Seja quem você quiser ser e não deixe que te digam o que fazer, o que pensar, como agir.

Décadas atrás nossos ancestrais compreenderam que isso não é uma ideologia política, crença religiosa, raça ou nacionalismo (…). Eles se dividiram em facções que pretendiam erradicar essas qualidades que eles acreditavam serem responsáveis pela desorganização do mundo. Aqueles que culparam a agressão formaram a Amizade. Aqueles que culparam a ignorância se tornaram Erudição. Aqueles que culparam a hipocrisia criaram a Sinceridade/Franqueza. Aqueles que culparam o egoísmo fizeram a Abnegação. E aqueles que culparam a covardia foram o Destemor/Audácia. - Divergente, Veronica Roth.

Os personagens são interessantes, mas mereciam melhor desenvolvimento. A narrativa é em primeira pessoa e para ser sincera essa foi uma das poucas vezes que não senti falta de uma narrativa onisciente. A escolha da autora está O.K.. Não gostei muito da quantidade de vezes que Tris se lamenta pelo passado, presente e futuro, mas tudo bem, ela ainda é uma adolescente de dezesseis anos, fazendo coisas que uma adolescente não deveria fazer.
Uma coisa que ficou estranha é que não vejo essa sociedade funcionando muito bem, a impressão que me deu é que a qualquer momento as coisas simplesmente não iriam mais para frente. Centenas de pessoas vivem em uma cidade, por décadas, e a coisa não parece ter evoluído muito.
Vale ressaltar que, apesar de ter romance, não é focado nisso, a protagonista não é a única esperança da Terra, não tem dezenas de pessoas dispostas a defendê-la, ou segui-la, ela apenas está ali e coincide de ter certa importância na trama (pelo menos até o terceiro livro que, de novo, ainda não terminei). A trama em si é interessante, mas não é original. Se vasculhar bem na cultura pop, vai achar várias outras tramas parecidas.
Se eu gostei ou não ainda é difícil decidir. Por muito tempo não conseguia parar de ler, no outro  momento queria pular parágrafos, voltava a ler para saber onde tudo aquilo iria dar, de repente estava pensando se estava faltando alguma coisa naquela cena, depois meio irritada com o romance sem sal, sem açúcar, sem propósito… Mas li até o final, sem perder nada, e queria muito saber o que vinha a seguir. Acho que a proporção final de gostar ou não gostar é 50/50. Nem morri de amores pela série, nem odiei irrevogavelmente.
Cheguei ao final de Divergente doida para saber o que acontecia em Insurgente, porque a resposta para as perguntas que ficaram lá no final de um, só poderiam ser encontradas no começo do outro. Veronica Roth consegue deixar no leitor essa vontade de querer saber qual a explicação para o que aconteceu e assim, um livro leva ao outro e você vai acabar chegando, como eu, quase sem saber como, a Convergente.
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A Torre Negra 1: O pistoleiro - Stephen King

“Você deve compreender que a Torre sempre existiu, e sempre existiram rapazes que sabiam de sua existência e ansiavam por ela, mais do que pelo poder, riquezas e mulheres… rapazes que procuravam as portas que levavam a ela…”

O autor

Stephen King é conhecido como um importante autor de histórias de terror um tanto bizarras, mas estranhamente fascinantes. Também é um dos autores com o maior número de adaptações para o cinema e televisão, a citar: “Carrie, a estranha”, “À espera de um milagre”, “A colheita maldita”, “O nevoeiro”, “O iluminado”, “1408”, “Conta comigo” (para citar apenas os que eu assisti) e “Sob a redoma” (conto adaptado para a televisão recentemente), entre muitos, muitos outros.

            Ao contrário de muito fã por aí a fora, comecei logo pela obra mais complexa do autor - A Torre Negra, que é uma série composta por sete livros: "O Pistoleiro", "A escolha dos três", "As terras devastadas", "Mago e vidro", "Lobos de Calla", "A canção de Susannah" e "A torre negra". Recentemente, Stephen King lançou também "O vento pela fechadura", um livro no mesmo universo, que se passa entre o quarto e o quinto livro, e não é, portanto, uma continuação, tampouco parte essencial da história principal.

Volume I – O Pistoleiro



O primeiro volume é o menor da série e funciona como um prólogo gigantesco (sem trocadilhos). Sua função é apresentar o universo em que a história se passa, o personagem principal e, consequentemente, a genialidade do autor. Pode ser pura e simples interpretação, exagero meu mesmo, mas não me lembro de ter lido uma primeira frase que dissesse tanto sobre a história. Ela não apenas "começa" a história, ela resume e apresenta a principal característica do personagem principal - sua determinação cega e pragmática:

“O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”.

Na frase temos dois personagens muito parecidos e ao mesmo tempo opostos. O protagonista, o pistoleiro, Roland Deschain, e o homem de preto, um homem "sem face", também conhecido como "Walter das sombras". A princípio não há uma explicação muito detalhada de porquê Roland quer tanto alcançar esse homem, mas logo nos primeiros capítulos, quando Roland para em uma cidadezinha perdida no meio do deserto, você logo descobre o quanto esse homem é perigoso e que é melhor que seja encontrado logo.


O protagonista

Roland é um homem amaldiçoado, que tem essa maldição reforçada em todo lugar aonde vai. É assim que ele se vê, mas ao contrário dos problemas de autoestima de muita gente por aí, ele não está enganado. Sua vida é um amontoado de desgraça que começa quando ainda era muito jovem e o persegue indefinidamente.
Por esse e outros motivos, Roland é um homem duro e obcecado, jurado pelos sentimentos de traição e vingança, a perseguir seu objetivo: encontrar a Torre Negra. Esse é o seu Ka, seu destino.

Símbolo do Ka
Ele é o último de uma linhagem nobre de sua terra natal, Gilead, e o último pistoleiro. Os pistoleiros homens treinados na arte das armas, que têm um rígido código de conduta, representado pelo lema: “jamais esqueça o rosto de seu pai”.

“- Fale a Língua Superior – ele [Cort] disse em voz baixa. Um tom plano, ainda que com ligeira, embriagada aspereza. – Diga seu Ato de Contrição na língua da civilização pela qual homens melhores que você tantas vezes morreram, seu verme.
Cuthbert estava se levantando de novo. Lágrimas pairavam brilhantes em seus olhos, mas os lábios estavam comprimidos numa forte marca de ódio que não tremia.
- Lamento – disse Cuthbert num tom ofegante de autocontrole. – Esqueci o rosto de meu pai, cujos revolveres espero um dia carregar.”


O mundo

            O mais interessante, no entanto, não são os personagens, mas o ambiente em que eles estão inseridos. Este é um "mundo que seguiu a diante", um conceito tão amplo quanto o tempo que ele possivelmente engloba. Tudo ao redor está deteriorado, inclusive a condição humana, que segue inconsciente, individualista e degradada, enquanto ainda canta os hinos de uma Igreja que conhecemos muito bem. Aliás, nasce daí uma das cenas mais grotescas do livro, uma matança generalizada que sei que muita gente vai gostar.
            À primeira vista, parece um cenário comum de faroeste, até que o pistoleiro se depara com sinais de uma tecnologia até mais avançada que a de nosso tempo. Isso não é surpresa para ele, claro, mas é causa de estranhamento para o leitor. Isso é o que vai te impulsionar na leitura, mesmo quando as coisas não estiverem assim tão favoráveis.
            A leitura é lenta, arrastada, quase como é a travessia de Roland no deserto sem fim. É lá no final do livro que a história volta a se agitar, já na presença de Jake, um garoto de doze anos, que Roland encontra no meio do nada. É através do garoto que Roland toma conhecimento de um mundo completamente diferente do seu, ou de um tempo diferente do seu, antes de "o mundo ter seguido à diante". E é o garoto que parece entender esse mundo melhor que o próprio Roland...


            Adaptações
            Como muitos outros livros do autor, A Torre Negra também tem sido namorada para ganhar uma adaptação live action. O ator, cineasta e produtor Ron Howard está a frente do projeto, mas não se sabe muito a respeito. Já foi dito que os livros virariam uma série televisiva, que poderia ter os direitos de adaptação comprados pela Netflix - a menina dos olhos de muitos nerds -, e até que suas temporadas seriam intercaladas por filmes. Surgiu boatos de atores que teriam sido cotados, como Aaron Paul (de Breaking Bad), possível Eddie Dean, personagem do segundo livro.
            (Os fãs continuam cruzando os dedos para que Clint Eastwood rejuvenesça trinta anos para viver o protagonista… ora, eles podem sonhar).

            Muito se fala, mas pouco se concretiza. O principal problema é adaptar uma história que mistura fantasia, viagem no tempo/universos alternativos, terror e faroeste. Cá entre nós, se conseguiram adaptar "Game of Thrones" e "O Senhor dos Anéis", não há nada que dinheiro e boa vontade não possam fazer, mas quem sou eu para ensinar o caminho das pedras?


            De qualquer forma, a obra já foi adaptada em outras mídias, como o caso das Graphic Novels "Nasce um pistoleiro", "O longo caminho para casa", "A queda de Gilead", entre outras, que vão adaptar os flashbacks espalhados pelos livros e contar a juventude de Roland Deschain e a queda de sua terra natal, Gilead. Vale a pena conferir. O texto é ótimo, os desenhos são incríveis e as edições brasileiras estão impecáveis. Perfeito para quem já é fã aproveitar ainda mais a história.

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“ - Vá, então. Há outros mundos além deste.”
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