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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Entrevista com o vampiro - Anne Rice

*Resenha de 26 de março de 2011*


Okay, eu me formei em jornalismo e com certeza essa não é uma entrevista que eu gostaria de fazer. Francamente, vampiros nunca me fascinaram e, embora esteja mais simpática a eles agora do que em qualquer outro momento da minha vida, continuo sem entender o fascínio genuído que esses seres derpertam nas pessoas. Mas, isso, pode ser assunto de outro post, sendo assim... Vamos em frente.


As crônicas vampirescas de Anne Rice não fazem parte da minha lista de livros de cabeceira, pois, para ser franca, esse foi o primeiro que li, depois de vários comentários da minha amiga Ana, fã desses livros, e do meu namorado, igualmente fã e "RPGista" de Vampiro, A Máscara!

Portanto, vou me prender ao livro e somente a ele.

Terminei este livro há algumas semanas e só agora percebo que deveria ter escrito sobre ele antes de esquecer detalhes importantes. Então, vou começar pelos personagens:

Louis - Francamente, no começo e durante boa parte do livro esse personagem me cansou um pouco. Eu sou uma pessoa dramática e reflexiva, e também passo muito tempo remoendo arrependimentos de algo que deveria ou não ter feito. Mas a minha vida é efêmera e, em algum momento, assim espero, morrerei e minhas culpas morrerão comigo.

Mas Louis tinha culpas, muitas, que vou tentar resumir: Louis amava o irmão e, depois de uma briga, o garoto morreu caindo da escada (ou algo assim); Louis aceitou ser transformado em vampiro por causa do encanto que Lestat exercia sobre ele, e depois se arrependeu terrivelmente; Louis, após ser abraçado (momento em que o humano é mordido e transformado em vampiro), arrependido, descobre que tem que morder outras pessoas para sobreviver sugando o sangue das vítimas (devia ter pensado nisso antes).

Entendo o sofrimento do personagem, a depressão a que se entregou após a morte do irmão, toda a culpa que sentia por não ter dado ao irmão, que queria ser padre (realmente irônico), aquilo que ele acreditava ser necessário para seguir seu caminho. Também entendo que, como vampiro, e tendo o coração bondoso, Louis se encontrasse em um dilema eterno, literalmente, pois matar para sobreviver parecia extremamente cruel! E é! Então, Louis decide sobreviver a base de animais, para que sua culpa não superasse sua humilhação.

Além disso, o fascínio que Lestat despertava no Louis humano não se refletiu no Louis vampiro, que via em Lestat toda a crueldade e futilidade a qual não queria se entregar.

Eu não teria me incomodado tanto com o Louis se não fosse ele quem narrasse a história. Ou seja, o tempo todo, Louis fala de culpa, de remorso, de angústia. Eu até gosto, confesso. E não acho que um livro sobre vampiros deva, em momento algum, permitir que a história se torne menos densa do que seria a vida imortal e amaldiçoada. Nesse ponto, o texto é impecável e eu o invejo.

No entanto, é um pouco cansativo ver o personagem ir e vir com a mesma forma de pensar. Mas é igualmente recompensador quando, quase no final, Louis resolve "virar homem", digo, vampiro, e fazer o que era preciso! Foi aí, no finalzinho de tudo, que o personagem me conquistou. Demorou, mas fiquei orgulhosa dele! E depois, repensei toda a história dele. O saldo, para minha surpresa, foi positivo!

Lestat - O segundo personagem mais interessante do livro. (Louis não é o primeiro, na verdade, para mim, é no máximo o terceiro). Confesso que fiquei como Louis, sempre me perguntando se Lestat tinha algo a esconder, se ele tinha motivos fortes para não permitir que Louis e Claudia saíssem de perto dele. E fiquei imaginando como aquele vampiro, que no começo desse livro ainda tinha o pai vivo, havia nascido para a vida imortal.

Ele tem uma personalidade interessante, não exatamente cativante, mas expansiva, algumas vezes repulsiva, sim, mas ele é um vampiro com orgulho de ser vampiro, com mente de vampiro e atitudes de uma pessoa não muito normal. Ao contrário de Louis que é um vampiro com vergonha de ser o que é, arrependido de tudo o que foi e é, e com mente de homem. Não dá muito certo, né? No fundo, é a isso que atribuo a tristeza profunda de Louis, por não se aceitar o que é, não aceitar aquilo que decidiu ser e por não ser capaz de "deixar de ser", ou seja, sair ao sol e morrer! Parece bem simples, mas seu desejo pela beleza da vida e das coisas humanas, impediu que o fizesse.

Lestat não é assim. A imortalidade é uma dádiva, que faz com que as questões sobre a existência de Deus, do diabo e dos pecados, se torne algo insignificante. Afinal, se não há morte, não há julgamento de espírito e, para quem tem a eternidade nas mãos, o que são as regras? A própria história da humanidade nos apresenta padrões de comportamento profundamente modificados. O que antes não era visto com bons olhos, hoje em dia faz parte do cotidiano. Para um vampiro, a linha entre o certo e o errado é ainda mais tênue.

Não posso dizer mais nada sobre Lestat, pois esse foi o único contato que tive com ele e por boa parte do livro ele esteve "fora". Daqui a pouco, volto a falar dele.

Claudia - Essa sim é a melhor personagem do livro. Para ser sincera, ela é uma personagem diferente daquelas que costumam entrar na minha lista de favoritas, mas tenho que admitir que uma criança-vampira, com mente de vampira, corpo de criança, e mente de mulher-vampira é extremamente interessante!!! Cláudia é dona de uma personalidade forte, mente aguçada e sedução incomum para uma "criança", mas não para uma vampira.

Claudia é mais uma razão para que Louis se tornasse tão pouco interessante para mim. Ela aceitou a condição de vampira, embora ser sempre criança tenha lhe dado profundas insatisfações. Mas é fato que, se não fosse por ela, Louis não se mexeria. Se não fosse por ela Louis teria ficado para sempre na proteção de Nova Orleans, e na ignorância do que realmente significa a vida de vampiro.

Mesmo a crueldade vampiresca de Claudia é fascinante! Louis devia ter aprendido com ela...

(Okay, no momento, sinto meus valores e preferências serem jogados no lixo, percebendo o quanto gostei dessa personagem!!! Queria vê-la em outros livros... Mas...)

Seguindo... Louis e Claudia percebem que não estão satisfeitos com a condição de vampiro, sendo apenas sugadores de sangue e ladrões de vida. Por isso, decidem se aventurar pelo mundo em busca de outros como eles. Encontram um vampiro em uma cidade da Europa que, mais tarde, descobrem ser diferente deles. O que não lembro de ter sido explicado em outro momento, a não ser por essa frase "são diferentes de nós".

Mais tarde, Louis e Claudia (sua "filha-amante", coisa de vampiro...), encontram vampiros verdadeiramente como eles e, mais uma vez, Louis se vê perdido em arrependimentos, mas sobre isso, não vou falar.

(Engraçado, também foi por causa da Cláudia que o Louis mudou, mas chega de pegar no pé dele!)
Anne Rice, a autora.

Achei interessante o modo como os vampiros, em algum momento, percebem que "não aguentam mais", percebendo que tudo o que conheciam em vida desapareceu da Terra e que não conseguem mais acompanhar as mudanças. A eternidade passa, então, a ser uma maldição e uma opção que não é mais atraente.

Me irritei com a falta de compreensão do repórter, mas isso tem mais a ver com minha opinião de que, se existissem vampiros, e se eu fosse atacada por um e transformada, eu prefiriria, sem pensar duas vezes, morrer na primeira oportunidade que tivesse. Mas isso é questão de opinião e sei que tem gente que considera a vida eterna uma ótima forma de acumular conhecimento. Mas, eu pergunto: Qual o sentido do conhecimento e da cultura, se você não os usa para alguma coisa? Nem que seja para passar à  diante. Se sua busca por conhecimento se limita a acumulá-lo e torná-lo exclusivo, então sim, é uma busca inútil. Porém, novamente a resposta para isso é questão de opinião e, se eu me prender a ela, sairei do assunto.

Considerações finais:
Entrevista com o vampiro entrou definitivamente para a minha lista de livros preferidos, o que eu pensei que isso nunca aconteceria com um livro sobre vampiros;
- Anne Rice, a autora das Crônicas vampirescas, converteu-se após a morte de sua filha e começou a escrever livros sobre Deus;
- A narrativa em primeira pessoa (independente da autora, é mais uma coisa da personalidade de Louis) é um pouco cansativa, mas depois de um tempo, você realmente entra na história e nem a personalidade introvertida de Louis incomoda mais;
- Gostaria de ler outros livros de Anne Rice, mas isso não será algo que colocarei na minha lista de prioridades.

+++++

Eu resolvi resgatar essa resenha, escrita há 9 anos, só porque eu ainda amo esse livro. Eu gostaria de reler, mas... como eu disse antes, há outras coisas nas minhas prioridades agora. Mas vale a pena conferir.
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Os desejos da Bela Adormecida (trilogia) - Anne Rice


Trilogia Erótica I
Numa época em que virou moda livros soft porn a lá "Sabrina", chega nas livrarias uma trilogia erótica escrita por Anne Rice, com o pseudônimo de A. N. Roquelaure, mas dessa vez sem vampiros, bruxas ou qualquer outro ser sobrenatural. No entanto, algo que poucos sabem, é que essas obras não são resultados de um esforço de pegar carona numa moda já tão saturada.

O primeiro livro foi publicado em março de 1983, com o nome de "Os Desejos da Bela Adormecida". O enredo começa quando o Príncipe encontra a Bela e a acorda da maldição que a fez dormir por 100 anos. O até-então-conto-de-fadas muda de figura quando, ao invés do 'felizes para sempre', a princesa descobre que agora é uma escrava que servirá ao príncipe e toda sua corte no reino dele.

Para a surpresa da inocente princesa, ela descobre que não será uma escrava comum, mas sim uma escrava que vai andar nua e servir aos desejos de seus senhores, que podem variar desde uma obrigação simples como servir bebidas, até fazer sexo. Não demora até ela também descobrir que servirá junto com outros príncipes e princesas escravos.

A trama é simples e o primeiro livro cumpre aquilo que se propõe a fazer, descrever cenas de sexo. O fundo sado-maso influencia nos acontecimentos, deixando algumas cenas mais 'pesadas', a ponto de ter gente que fica chocada e desiste de ler nas primeiras 50 páginas. Meu ponto de vista: é a mesma coisa que assistir um filme pornô que não seja 'female-friendly' (amigável com as mulheres), ou seja, se você acha que pornôs são nojentos mas por algum motivo misterioso ama 50 tons, pode ler, mas não reclame depois.

Trilogia Erótica II
O segundo livro da trilogia foi publicado em março de 1984, um ano depois do primeiro, com o nome de "A Punição de Bela". Não vou revelar o que acontece, não quero cortar o possível tesão que alguém tenha lendo a trilogia, mas esse livro não agrega nada à trilogia. É a repetição da mesma fórmula usada no primeiro, e só um capítulo me surpreendeu. Se no primeiro o limite era mostrar homens sendo violentados por cenouras, no segundo o limite passa a ser um gang-bang (sexo grupal, no caso com uma mulher e vários homens).

Meu ponto de vista, minha opinião tosca

Livros eróticos nunca chamaram minha atenção, apesar de já ter lido vários contos. Mas é aquilo, conto é rápido, não é algo que se estende por mais de 10 páginas. Quando isso acontece ele passa a ter continuação. Esses dois livros serviram para reafirmar o que eu já achava sobre livros eróticos, por mais bem escritos que eles sejam, as vezes ver um filme pornô é mais eficaz, seja porque você quer ter prazer ou porque você quer se entreter vendo sacanagem.

Demorei uns cinco meses só enrolando pra começar a ler e terminar de ler o segundo livro, e cada página foi um tédio, justamente por não ter nada além da mesma fórmula que vi ser usada no primeiro.

Trilogia Erótica III
O terceiro livro, publicado em junho de 1985, chama "A Libertação de Bela". Não sei quando vou ler, muito menos quanto tempo vou demorar para ler, mas se por acaso ele mudar alguma coisa no que já li, faço um texto sobre isso. Caso contrário, vou ficar devendo.

Mas considerando o contexto histórico no qual essa trilogia foi escrita e o que dizem ter sido o motivo pelo qual Anne Rice a escreveu, ela cumpriu muito bem o seu objetivo. 

Numa época quando movimentos feministas eram contra a pornografia, se bobear com o mesmo discurso que vejo um monte de mulheres proclamando hoje por ai, de que as mulheres têm que se dar ao respeito e não usarem roupas curtas, Rice escreveu como uma forma de dizer que as mulheres têm direito a liberdade de ler e escrever o que bem entenderem, inclusive pornografia. Nisso repito, a fórmula usada no primeiro livro, é a mesma de um roteiro de filme pornô, o que não muda no segundo livro e acho que já consegui deixar bem claro porque duvido que vá mudar no terceiro.

Possível spoiler

Me arrisco até a dizer que no terceiro livro é capaz do personagem principal ter as vezes de senhora, com um escravo ou mais para poder brincar e 'brincar' a vontade.
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