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sábado, 24 de julho de 2021

Resenha de bolso - 03 | A moreninha (Joaquim Manuel de Macedo) e Senhora (José de Alencar)

Nem todo livro pedido na escola é um completo desperdício... para algumas pessoas. Esses dois livros são exemplos de livros nacionais, clássicos, que li na escola e pelos quais me apaixonei de cara. Hoje eu os trouxe para a terceira edição do Resenha de Bolso!


5. Título: A moreninha | Autor: Joaquim Manuel de Macedo

A moreninha foi publicado em 1844 e faz parte do Romantismo, sendo também considerado o primeiro livro que retrata costumes tipicamentes brasileiros. Joaquim Manuel de Macedo estava se formando em medicina na época da publicação, mas acabou desistindo da carreira para se dedicar ao jornalismo e à literatura.

O romance conta a história de Augusto, estudante de medicina, que jura não estar interessado em relacionamentos longos. Seus amigos, então, fazem uma aposta: se Augusto se apaixonasse por mais de quinze dias, ele teria que escrever um livro contando a história desse amor.

Sendo assim, os quatro amigos vão passar um feriado na casa da avó de Filipe, onde Augusto conhece Carolina, prima de Filipe... e por quem acaba se apaixonando. No entanto, há um problema (que não é o fato dela ter apenas 14 anos): Augusto prometeu amor eterno e fidelidade a uma jovem que conheceu 7 anos antes (quando também era criança).

A história é bastante simples e até meio boba, considerando a promessa de uma criança a outra criança, e que isso seria um impedimento para que o protagonista vivesse um romance real. Mesmo assim, é um livro gostoso de ler, bom para quem tem medo do palavreado complicado e tramas dramáticas com as quais a gente acaba se deparando nas obras do Romancismo brasileiro.

É um livro fofo. Não sei se pode agradar todo mundo, mas eu li quando tinha doze anos e coloquei direto na minha lista de favoritos nacionais.


6. Título: Senhora | Autor: José de Alencar

Outro livro que também pertence ao Romantismo, Senhora foi publicado em 1874. Junto com Lucíola (1862) e Diva (1864), faz parte de uma série de livros conhecida como "Perfis de Mulher", de José de Alencar. As histórias em si não têm relação entre si, mas eu não ainda preciso estudar muito sobre o assunto para falar sobre, então... continuando...

A narrativa trata dos preparativos e primeiro ano de casamento de Aurélea e Fernando Seixas. Ela, uma jovem herdeira com muitos pretendentes na sociedade carioca, mas que acaba escolhendo Fernando como seu noivo, apesar dele não ter as mesmas condições financeiras. Mais pra frente, o leitor descobre que o casal já se conhecia há muitos anos e que a história deles havia encontrado um fim abrupto.

O livro fala sobre as relações sociais na sociedade burguesa da época, como as mulheres precisavam ter bons dotes para conseguir maridos e como, muitas vezes, um relacionamento inocente podia ser corrompido por interesses financeiros.

É também um livro muito bom para enteder os costumes da sociedade brasileira durante o período imperial.


Ambos os livros eu reli mais de uma vez e Senhora fez parte das minhas leituras de 2020. Mas devo dizer que, dos dois, esse Senhora foi um pouco mais difícil de ler, porque José de Alencar não era muito apegado à ideia de facilitar. Ele faz muitas descrições e usava palavras muito difíceis. Mas você pega o ritmo.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Resenhas de bolso - 02 | A redoma de vidro (Sylvia Plath) e A metamorfose (Franz Kafka)

 Olá você! Hoje eu vim trazer a segunda edição da série Resenha de bolso! E dessa vez com dois livros que eu li em abril de 2018, mas que ainda ficaram gravadas na minha mente. Porque, de alguma forma, ambas falam sobre pessoas isoladas das pessoas ao redor delas.


3. Título: A redoma de vidro | Autora: Sylvia Plath | Tradução: Chico Mattoso | Editora: Biblioteca Azul



Narrado em primeira pessoa por Esther, uma jovem aspirante a escritora, que está passando por um período de depressão. A personagem narra a progressão da doença, desde os primeiros sinais de apatia, até os desejos suicídas. O leitor é levado a entrar na mente perturbada de Esther enquanto ela vê a vida passar, sem se interessar por nada: a chance de impulsionar sua carreira, romance, amizades.

Esther recebe a notícia de que não foi aceita em um curso de redação que pretendia fazer no verão e começa a se preocupar com seu futuro e com as opções destinas às mulheres: casamento, maternidade e empregos como secretárias... Ambiciosa, Esther questiona esses padrões e questiona sua capacidade de seguir um caminho diferente.

Não há muito espaço para respiro durante a leitura desse livro, pois ele narra basicamente a trajetória de alguém mergulhando na apatia, o que faz sentido com o título: uma redoma de vidro, onde não é possível respirar e de onde não é possível escapar.


4. Título: A metamorfose | Autor: Franz Kafka | Tradução: Modesto Carone | Editora: Companhia das letras


Um belo dia, Gregor Samsa acorda atrasado para o trabalho e sente que há algo diferente. Durante a noite, ele inexplicavelmente, se transformou em um inseto asqueroso. Em nenhum momento é descrito que tipo de inseto o jovem se transforma, ou se é um inseto propriamente dito, mas ele é com certeza, asqueroso. O autor não se preocupa em explicar porque isso aconteceu. Ao invés, ele decide focar no que acontece a seguir.

Gregor era um caxeiro viajante e seu trabalho era essencial para o sustento de sua família. No entanto, na presente situação, ele não pode mais trabalhar e ser útil. Ele se torna um fardo para a família que, além de ter que alimentá-lo, precisa achar outras formas de sustento. O problema é que mesmo seus parentes não são capazes de olhar para a criatura que Gregor se transformou e transitam entre o medo e o nojo, rejeitando o rapaz cada vez mais.

Não é um livro muito longo, possível de ser lido em um dia. Mas é tão triste e desesperançoso, que faz você se sentir mal. Ao longo da leitura eu pensei em várias situações que poderiam ter nessa história uma alegoria: uma pessoa que adoece ou que passa a ter uma deficiência; ou alguém cuja família não aceita a homossexualidade; eu não tenho certeza se o autor teve a intensão de discutir qualquer um desses assuntos, mas o livro me deixou pensando...


Por hoje é só. Vou deixar essas recomendações de leituras muito boas, mas pesadas. Leia quando se sentir bem. Talvez depois que a gente se livrar da pandemia... #FicaADica

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