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sábado, 23 de dezembro de 2023

Leituras de 2023

 ::: LEITURAS :::

Critérios de avaliação - Livros

( A ) Boa escrita

( B ) Idéia original

( C ) Bons personagens

( D ) Tema

( E ) Ritmo da história

+

☆ | Ruim - Não preenche mais que 1 critério

☆ | Regular - Preenche de 1 a 2 critérios

☆ | Bom - Preeche pelo menos 3 critérios

☆ | Ótimo - Preeche de 4 a 5 critérios

☆ | Excelente - Preeche 4 a 5 critérios e tem fator pessoal (critério subjetivo)

| ❤ | Favorito - Critério apenas subjetivo


1. Quase namorados - Nath Queiroz e Tami Rangel | ☆ |

Não sei bem o que dizer sobre esse livro. Acho que não tenho nada de bom para falar, então vou me conter. É aquele clichê sobre duas pessoas que resolvem fingir que são namorados, até que de repente percebem que o fingimento se tornou real demais. E é isso. Eu estava com ressaca literária e estava procurando alguma coisa leve para matar o tempo.

Grey - E. L. James

2. Grey (Cinquenta tons de cinza pelos olhos de Christian Grey #1) - E. L. James | ☆ |

Bom, o que posso dizer. É meu guilty pleasure. Apesar que sou a primeira a admitir que a história fica ainda pior sob a perspectiva do homem stalkeador. É bizarro.


3. Filhos do Éden #1: Herdeiros de Atlântida - Eduardo Spohr | ☆ |

Eu já tinha lido esse livro, lá em 2012/2013, algo assim. Finalmente coloquei as mãos no segundo volume da série e... precisei reler, porque não me lembrava o suficiente desse primeiro livro. E nessa releitura, eu gostei muito mais do que da primeira vez! Não sei bem o que mudou, se é o fato de que, dessa vez, não estava comparando com a outra obra do autor que eu havia lido no mesmo universo - A batalha do Apocalipse. Pode ser.

Nesse livro, acompanhamos Rachel, uma jovem universitária que descobre que na verdade ela é um anjo - ou melhor, uma Arconte de Gabriel, que está desaparecida há dois anos, após ter vindo para a Terra em uma missão secreta. Junto com seus novos companheiros, que vieram resgatá-la, Rachel precisa encontrar uma antiga cidade atlante.


4. Filhos do Éden #2: Anjos da Morte - Eduardo Spohr | ☆ |

A história de Rachel, agora chamada Kaira, continua nesse livro, porém, fica em segundo plano, enquanto Spohr decide nos contar sobre as "aventuras" de Denyel - o anjo exilado - durante as guerras do século XX. Boa parte do livro se passa durante a Segunda Guerra Mundial e outra parte no Vietnã, chegando até a queda do muro de Berlin em 1989.

Eu gostei muito desse livro, é o melhor da série. É um livro que mistura guerra, espionagem, terror e elementos sobrenaturais, tudo muito bem equilibrado.


5. Filhos do Éden #3: Paraiso perdido - Eduardo Spohr | ☆ |

Bom, aqui... a série voltou a perder uma estrela, por vários motivos. Primeiro, o tempo passado em Azgard foi muito longo, tomou mais da metade do livro, não acabava nunca e não parecia ter ligação direta com a história que vinha sendo contada até então. Não é que não seja interessante, só parece que a história tomou um desvio e acabou parando num lugar muito diferente do esperado. E, quando essa parte finalmente acaba, Spohr faz o que pra mim foi o maior banho de água fria: trazer Ablon (protagonista de A batalha do Apocalipse) para a história e toda a segunda parte do livro é focada nesse personagem. Assim... por mais que eu goste de AbdA, seu protagonista é um PORRE. Ablon é muito chato. Além de ser extremamente caricato (todos os anjos são, mas as características das castas angélicas meio que justifica isso). Mas Ablon tá em outro nível. A sua "honra" imaculada de herói idealizado é um revirador de olhos instantâneo. Eu não tenho paciência para ele. O típico personagem que só pode ter sido escrito por homens, para homens. Chato!

Enfim... a terceira parte do livro é o que faz ele não perder mais de uma estrela, porque voltamos a falar de Kaira e Denyel que são meus personagens favoritos e protagonistas dessa história afinal de contas. Pensando agora... não me lembro do porquê do Ablon estar nesse livro... enfim...

Preciso escrever uma resenha completa da série... mas vamos ver.


6. Percy Jackson e os olimpianos #1: O ladrão de raios - Rick Riordan | ☆ |

Ainda não decidi se realmente gostei da série ou se vou continuar a leitura. O livro não é ruim, mas infanto-juvenis não costumam funcionar bem comigo.

Percy Jackson é um garoto de Nova York que mora com a mãe e o padrasto, e tem problemas na escola por conta das notas e das muitas confusões em que se mete. Até que, um dia, ele descobre ser um semi-deus e é acusado de roubar o raio de Zeus.


7. Mindhunter - John Douglas e Mark Olshaker |  |

Quem gosta de crimes reais e assina Netflix, já deve conhecer a série Mindhunter, que tem apenas duas temporadas e foi cancelada injustamente. Já faz tempo que o cancelamento aconteceu, mas eu ainda to com raiva. Enfim...

A série foi baseada nesse livro de não-ficção e nos feitos do agente do FBI, John Douglas, que ajudou a criar técnicas de investigação que ajudassem a capturar criminosos violentos, especialmente serial killers. O livro tem muito de duas coisas: descrições de crimes horríveis e o ego do John Douglas. Sim. O cara adora falar de si mesmo e de como ele fez isso e aquilo, e como todos queria a opinião dele. Honestamente? Eu no lugar dele faria o mesmo. E você provavelmente também. A modéstia é superestimada.

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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Cinquenta tons 1: Cinquenta tons de cinza - E. L. James




Pornô para mães

A primeira vez que ouvi falar do livro, eu não me interessei muito, pois foi logo com uma crítica nada positiva sobre ele. A segunda vez foi durante a leitura de um trecho, em que a pessoa que lia pra mim estava super animada e um pouco envergonhada com o que lia. No entanto, enquanto ela lia, eu me lembrava dos muitos “Sabrina”, “Bianca” e “Julia” que li no começo da minha adolescência.
São aqueles livros de banca de jornal, romances açucarados, que tinham sempre, sempre mesmo, uma protagonista muito jovem (lá na casa dos dezoito anos), muito virgem (inexperiente até com beijo), muito independente (sempre com uma opinião e uma resposta na ponta da língua), e muito incapaz de se livrar dos braços do homem mais velho (na casa dos trinta anos, não mais que isso, mas não menos de vinte e um).
As mocinhas desses romances eram, em geral, cheias de valores e problemas, e conheciam aquele cara maravilhoso, que nunca, nunca mesmo, era simpático com elas, pareciam odiá-las sem nenhum motivo aparente, as julgavam sem saber a fundo o que acontecia com elas e, ao mesmo tempo, as agarravam sempre que tinham oportunidade. E sem que elas quisessem ser agarradas. Bem, pelo menos no começo, porque elas nunca conseguiam sair dos braços deles, até que eles decidissem soltá-las. E elas se apaixonavam perdidamente em algum momento. A explicação deles? As amavam desde o momento em que as conheceram. Sim, simples assim.
Sobre o trecho que minha amiga estava lendo para mim, nada muito diferente do que eu já tinha lido nesse tipo de livro uma dezena de vezes… um estilo do qual eu já havia me cansado há um tempo. E aí é que está.
O que incomoda em “Cinquenta tons de cinza” não é a relação Dominador/Submissa, é a repetição de um estilo de livros que minha avó já lia enquanto fazia o enxoval dela. Só que com elementos de masoquismo… Não por menos, o livro está sendo conhecido lá fora como “Pornô para mamães”.
Na terceira vez em que ouvi sobre ele, minhas colegas de trabalhao começaram a aparecer com cópias desse livro e eu me rendi: precisava descobrir com o que estava lidando.

Fanfiction

“50 tons” nasceu como uma fanfiction de Crepúsculo. Eu não li esses livros – ainda -, mas assisti os filmes (eu apagaria da memória, se pudesse). E, de fato, há alguns padrões muito semelhantes entre os personagens. Veja:
Cristian Grey: Rico, misterioso, perigoso, cheio de segredos, ele e os irmãos são adotados. Edward Cullen: Rico, misterioso, perigoso, cheio de segredos, ele e os irmãos são adotados.
Anastasia Steele: Morena, pobre, dirige um fusca velho, é insegura, estabanada, tem pelo menos dois caras que se mostram interessados nela e fica completamente obcecada por Cristian no instante em que o vê. Bella Swann: Morena, pobre, dirige um caminhão velho, é insegura, estabanada, tem pelo menos dois caras que se mostram interessados nela e fica completamente obcecada por Edward no instante em que o vê.
Detalhe: Tanto Edward quanto Cristian avisam suas donzelas de que eles não são o homem certo para elas. Ambas as donzelas não ligam para o aviso.
Não tenho absolutamente nada contra fanfictions (ficção de fã), pelo contrário, sou totalmente a favor delas. O problema não é como “50 tons” surgiu e sim o modo como você pode facilmente relacionar uma obra à outra, e isso é muito frustrante (mesmo que, como eu, não goste nem de uma, nem de outra).
Acho que as fanfictions têm que permanecer exatamente onde estão e ser o que são. Se alguém quiser evoluir de um escritor de ficção de fã, para um escritor de verdade, pelo menos tenha a decência de escrever algo novo, original e diferente.

Personagens

Anastasia Steele tem 21 anos, está terminando a faculdade e estuda literatura. No entanto, no instante em que conhece Cristian, Ana – como gosta de ser chamada – passa a se comportar como uma garotinha de colegial.
A personagem é apresentada exatamente como todas as personagens daqueles romances de banca que citei acima. Cheia de opiniões e virgem, beijou apenas dois caras em toda a sua vida.
Dá para perder as contas de quantas vezes ela diz “Uau” ou “puta merda” ou faz algum comentário bem infantil sobre como Cristian mexe com ela, provocando sensações que ela desconhecia até então. Tudo isso antes dele sequer propor que ela seja sua submissa. E isso fica chato logo, pois o livro é narrado em primeira pessoa. Sem falar de sua irritante esquizofrenia: Ana fica o tempo todo falando de sua "deusa interior" e seu "inconsciente" como se fossem amigas de infância... é esquisito, chato e infantil.

Cristian Grey. Nem ele, que é bem mais interessante que sua companheira, tem uma apresentação muito melhor. Ele é rico. Jovem empresário bem sucedido. Misterioso. Possessivo. Perseguidor. Dominador. Sei lá, se a história não fosse contada em primeira pessoa, se o personagem principal fosse ele e não Anastasia, e se a escrita não fosse tão ruim, “Cinquenta tons de cinza” poderia muito bem ser um livro com a história certa.
Porém, “50 tons” se resume a uma personagem principal insossa, que fica o tempo todo repetindo “puta merda”, “ual” e o nome de “Cristian Grey”, o comparando com um “herói romântico”, um “cavaleiro reluzente”, e achando absurdo o fato de um “deus grego, um Adônis” como ele estar interessado nela.
E o pior é uma mulher, inteligente e independente, ficar toda derretida e cheia de desculpas aceitáveis para o fato de um cara que ela mal conhece persegui-la, rastrear seu celular, manda-la sentar, comer, dormir… e também achar sexy e sedutor o seguinte diálogo:

- Isso quer dizer que você vai fazer amor comigo hoje à noite, Cristian?
- Não, Anastasia, não quero dizer isso. Em primeiro lugar, eu não faço amor. Eu fodo… Com força.
Meu queixo cai. Foder com força. Puta merda, isso parece muito excitante.” - Pág. 89.

Dominador / Submisso

Vamos deixar uma coisa bastante clara aqui, antes de continuar: não sou contra sadomasoquismo ou essa relação “Dominador/Submisso”, e não vou ficar discursando sobre a liberdade feminina. Por que isso não vem ao caso.
Aqui, o que importa é a preferência de duas pessoas que querem manter uma relação, independente do “conteúdo” dela.
Ele quer dominar e, inexperiente ou não, Anastasia quer ser dominada. Tudo bem, ela leva mais da metade do livro tentando decidir se quer ou não assinar o tal contrato que impõe as regras dessa relação, os limites rígidos e os limites brandos, porém, se Anastasia não quisesse ser submissa, não teria esperado tanto, e teria negado logo de cara. A verdade é essa: ela quer, a decisão é dela, e não tem nada a ver com a relação homem/mulher na sociedade. Mesmo porque, - cuidado com o rápido spoiler - o próprio Cristian foi submisso anteriormente.
Anastasia é aquela garota insegura e sem graça que todos nós conhecemos, e que magicamente consegue atrair pelo menos três homens diferentes. Dois deles, ela nem considera, e o outro, bem, é o tal deus grego. Ela conhece Cristian e, depois de alguns encontros nem tão acidentais assim, ele a avisa que não é o homem certo para ela. Claro que, como em qualquer história, isso não funciona e Ana continua maravilhada com ele.
Cristian, incapaz de ficar longe dela, naquele tipo de magnetismo inexplicável, decide apresentá-la a seu mundo e deixa-la decidir se quer fazer parte dele. Claro, aqui, tem algo a se considerar nessa coisa de “a decisão foi dela”. Ao primeiro sinal de que Anastasia vai recuar e esquecer essa história, Cristian aparece na casa dela e a “convence” a pensar um pouco mais.
No entanto, repito, se no fundo ela não quisesse, não haveria livro (não que isso seja uma ideia tão ruim assim).

Meias palavras

Há aquelas cenas de palmadas, chicotadas e brinquedos eróticos que você provavelmente está esperando, mas há um padrão que se repete: ela goza e, em seguida, ele goza. Não que seja impossível, mas isso acontece exatamente da mesma forma todas as vezes. Mudam alguns detalhes aqui e ali, mas depois é assim que termina.

Outra coisa, Anastasia admite que quer fazer sexo masoquista com esse homem misterioso, mas é incapaz de ser direta quando o assunto é dizer onde está sentindo prazer. Ela fica cheia de meias palavras: “Eu sinto ele tocando… ali”, “Minha parte mais íntima”, “Lá embaixo”… Ou seja, depois de tantos “puta merda” e “foder com força”, ela não consegue falar “vagina” ou “clitóris”. Sendo que nem são termos pejorativos, e sim parte da anatomia feminina.

Lembra daquelas aulas de biologia, em que seus colegas ficavam de risadinhas sempre que ouviam as palavras “pênis” e “vagina”? Então, a sensação é a mesma.

Enfim…

“Cinquenta tons de cinza” tem tudo aquilo que as garotas adoram: uma personagem com que se identificar, um homem lindo, rico, sensual e misterioso, sexo, e até alguns momentos para dar uma risadinha ou deixar o coração apertar. Mulheres são mulheres e não têm como fugir do romance… ainda que torpe.

Contudo, o resultado final é um livro que pretende ser adulto, mas falha ao não conseguir encontrar o tom certo para a história narrada e acaba soando extremamente infantil.

A história é fraca, a escrita é podre, a personagem principal é chata. Tudo muito ruim para ser considerado.
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